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O método petista

Se confirmados os cálculos do Merval Pereira, publicados hoje n’O Globo,  o Zé Dirceu, pela importância determinante que teve no mensalão, poderá ser condenado a até dezoito anos de cana, dos quais terá que puxar pelo menos três em regime fechado. Tudo por conta daqueles cálculos jurídicos malucos, que faz somar as condenações dos chefões em função dos agravantes para depois dividir o tempo com alguns atenuantes. Quem quiser entender melhor vai encontrar a íntegra Blog do Noblat, que ainda fala dos demais comparsas mensaleiros.

Eu sou um rapaz humilde, com espírito de velho acomodado, e me contento com facilidade. Estou na linha de um primo querido, cujo nome manterei guardado, que quando diante de um vendedor de bilhetes de loteria que anuncia um prêmio de vinte milhões, comenta com ar blasé: – “Não é muito mas ajuda”. Lá em Campos do Jordão pegou e todos eles usam a frase debochada, que no meu caso é seríssima: três anos em regime fechado para o Zé Dirceu não é muito mas ajuda.

Ora, por um momento ao menos cada brasileiro duvidou que as denúncias do Roberto Jefferson fossem dar em alguma coisa. O aparato petista é tão despudoradamente eficiente que até agora tem gente duvidando que algum mensaleiro vá sair algemado. Mas a verdade, ou a minha aposta, é que vão. Estou tão confiante que minha aposta é diferente: ele sai de Vinhedo mostrando as pulseirinhas de aço com o mesmo orgulho de quando foi trocado pelo embaixador americano ou vai tentar ocultar igual fez o Jader Barbalho e outros corruptos?

Também fico curioso para saber o papo na carceragem quando o camburão estacionar. O clássico dos filmes de cadeia é o calouro que chega jurando inocência, e todo mundo, solidariamente, finge que acredita, até que um gozador apresenta a turma dizendo exatamente em qual crime cada um é inocente. Nem disso o réu maior poderá se abster, porque apesar de ser praticamente uma celebridade do crime, dificilmente alguém já tenha decorado a vastíssima seleção de delitos

É tão rico o oceano de malfeitos que marcará o governo Lula que o ministro assecla Toffoli, no futuro, poderá alegar ignorância dos autos para justificar seu voto, onde condenou o Delúbio e o Genoíno e absolveu seu chefe, o Dirceu. Nisso até o novo inimigo público número um, Ricardo Lewandowski, ministro revisor, foi mais coerente, absolvendo o Genoíno e o Dirceu e condenando o tesoureiro – muito embora seja necessária uma dose cavalar de boa (ou má) vontade para acreditar que o Delúbio fazia tudo por conta própria.

O voto do Toffoli me pareceu mais a construção de um álibi do que qualquer outra coisa. Como quem diz: não tenho compromisso com o PT, o rolo foi no partido e o meu chefinho estava no governo. A ideia, porém, mais o aproxima do que afasta do petismo. O método é o mesmo. Os petistas se defendem não pela verdade, mas pela repetição continuada da mentira.

O caso do que eles chamam de mensalão mineiro é exemplar. A Justiça ainda vai apurar, mas mesmo se confirmadas as acusações da existência de um valerioduto na campanha do tucano Eduardo Azeredo, ainda assim não seria mensalão, porque não houve compra de apoio no parlamento. O que eles dizem que aconteceu em Minas, aliás, é justamente o que eles assumem que fizeram em Brasília e consideram coisa corriqueira, caixa dois de campanha, e portanto delito perdoável.

O que os petistas e sobretudo o Lula precisariam entender – não tenho esperanças – é que sujar a imagem alheia não limpa a dele. Dizer que o veredicto do Supremo – onde por sinal a ampla maioria dos membros foi nomeada por ele e pela Dilma – não vale, e que eles podem recorrer a tribunais internacionais e manifestações populares é a contribuição para o atraso do Brasil que lhe faltava ao currículo. Depois de ter enxovalhado cada instituição brasileira (Correios, Banco do Brasil, Congresso, Presidência da República, Imprensa, Exército e a própria democracia) ele quer esculhambar a Justiça.

 
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