Facebook YouTube Contato

Chame o ladrão!

Na sexta-feira passada a Dora Kramer, rainha do frevo e do maracatu da imprensa brasileira, estava brilhante, especialmente brilhante. Falava do desrespeito do cidadão Luís Inácio Lula da Silva pelo Congresso desde quando, há vinte anos, qualificou a Casa como reduto de 300 picaretas, ou antes, quando passeou por lá e desonrou os votos que recebeu cumprindo um mandato “displicente e inexpressivo”, inclusive durante a Constituinte.

Dora vai direto ao ponto e não demora a mostrar como e por que, além do desdém pelo Parlamento, que afinal não é outra coisa se não a indiferença em relação à própria Democracia, se o golpe não pôde ser dado através das armas, como tentaram seus amigos que ora retornarão ao xilindró, que acontecesse pela grana, enquadrando de vez as centenas de picaretas “ao molde da presumida vigarice”.

Vai na íntegra: “Não é conjectura, é fato: foi a partir de 2003 que o chamado baixo clero passou a assumir posição de destaque, a dominar os postos importantes, a assumir posições estratégicas.

“Era uma massa até então quase incógnita, em sua maioria bastante maleável às investidas do Executivo e disposta a fazer do mandato um negócio lucrativo.

Note-se que na época o encarregado de fazer a “ponte” entre o Parlamento e o Planalto era ninguém menos que Waldomiro Diniz, o braço direito de José Dirceu na Casa Civil, cujos métodos ficariam conhecidos quando apareceu um vídeo onde extorquia o bicheiro Carlos Cachoeira.”

Em seguida ela discorre sobre os efeitos dessa “inflexão ladeira abaixo” sobre os quadros do Congresso, notadamente “o isolamento gradativo e por vezes voluntário, de deputados e senadores de boa biografia, com nome a zelar e atuação legislativa relevante”, e o desequilíbrio entre os Três Poderes, cuja intenção mais uma vez ficou provada quando Lula se disse decepcionado com os ministros que nomeou para o Supremo.

Mas a tinta que imprimiu as palavras da Dora ainda estava úmida quando a Polícia Federal visitava mais uma chefe de gabinete da Presidência da República do governo petista. Depois dos já citados Waldomiro e Zé Dirceu, passando por Erenice Guerra e família, chegamos em Madame Rose – que é como prefere ser tratada a dona Rosemary Nóvoa (nódoa?) de Noronha. Ela recebeu os agentes na madrugada da sexta-feira por suspeita de envolvimento numa quadrilha que traficava influência e pareceres técnicos. Seu primeiro telefonema foi para o ex-chefe Zé Dirceu. O Segundo, para o próprio Lula. O terceiro foi o coroinha Gilberto Carvalho, não se sabe se para pedir ajuda ou orações.

E mais uma vez o Chico Buarque é pertinente: Acorda amor
/ Eu tive um pesadelo agora
/ Sonhei que tinha gente lá fora
/ Batendo no portão, que aflição
/ Era a dura, numa muito escura viatura
 / Minha nossa santa criatura
/ Chame, chame, chame lá
/ Chame, chame o ladrão, chame o ladrão!

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
1 Comment  comments 

Uma resposta

  1. Leonardo

    Tenho esperança que o chefe da quadrilha logo estará fazendo compania pros companheiros já condenados pelo STF…