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Opinião pública e opinião publicada

“Há uma opinião pública e uma opinião publicada”, sustentou  o advogado brilhante Luiz Fernando Pacheco na defesa de José Genoíno, réu no processo de mensalão. Que orgulho do meu amigo Pachecão. Porque apesar de dura e triste, esta é a realidade: a opinião pública absolveu os mensaleiros quando reelegeu o Lula presidente da República e mais meia dúzia de deputados notoriamente envolvidos no escândalo, ainda que como suplentes, caso do cliente dele.

Na lista de absolvições ainda podemos incluir outras tantas, porque escândalos não faltaram. A Casa Civil é emblemática. Todos os ministros do governo petista tiveram o seu, inclusive a presidente Dilma, que quando esteve à frente da pasta foi acusada de produzir um dossiê contra a Ruth Cardoso, de saudosa memória.

O primeiro da coleção foi o Waldomiro Diniz, assessor especial do então ministro Zé Dirceu, flagrado extorquindo o notório bicheiro Carlinhos Cachoeira. Depois o próprio Zé sucumbiu como chefe da quadrilha mensaleira. Então a Dilma com o dossiê e logo em seguida seu braço direito, Erenice Guerra, com o filho traficante de influência operando dentro do Palácio. Já desta gestão, é o Antonio Palocci que acabou varrido junto com outras tralhas da herança imoral deixada por Lula, que agora inclui a Rosemary no rol de bagunceiros de antecâmara.

De modo que duvido que a revelação dos detalhes do depoimento do Marcos Valério publicada pelo Estadão de hoje vá mudar alguma coisa na opinião pública. Digo mais: se fizessem um concurso nacional de redação, valendo mensalão vitalício a quem mais se aproximasse do conteúdo da delação, o Brasil inteiro teria que dividir o prêmio, porque o que ele falou é exatamente o  que a gente presume: Lula não só sabia de tudo como também se lambuzou com o esquema.

Porém, posto que todo mundo acredita nisso e mesmo assim a maioria mostrou que não se importa, reelegendo o Lula e elegendo a Dilma, nos resta a luta da opinião publicada e a da Justiça. Famigerado ou não, o Marcos Valério esteve junto com esse pessoal por muito tempo, e se ofereceu dados estes merecem ser investigados. Pelo menos um depósito citado no depoimento bate com o depoimento: 98 mil na conta da empresa do Freud Godoy, assessor faz-tudo do ex-presidente, que os teria usado para pagar despesas pessoais do chefe.

Outra coisa: o Paulo Okamoto, por sinal acusado de ter ameaçado de morte o Marcos Valério, ficou conhecido como “o doador universal” ao assumir o pagamento inexplicável de diversas despesas pessoais do Lula e de sua família. Quando? No mesmo período dos depósitos feitos na conta do Freud.

A denúncia do Roberto Jefferson, que deflagrou o escândalo todo, também sofreu e ainda sofre ironias e tentativas de descrédito. Porém foi investigada, julgada e se confirmou com a condenação dos réus no Supremo Tribunal Federal. E já no primeiro momento ele afirmou que avisou o Lula. Depois voltou atrás, mas agora tem companhia que, canalha ou não viu o bicho de perto e, se resolveu falar, deve ser considerado.

 
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