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O mensalão por legado

Acabou. Na sessão de ontem, com voto de desempate do ministro Celso de Mello, decano do colégio, se encerrou no Supremo Tribunal Federal o julgamento do Mensalão, escândalo de corrupção nunca antes visto na história deste país.

Ficou provado e decidido que sim, o governo Lula foi corrupto do núcleo até a base, passando por instituições centenárias, como os Correios e o Banco do Brasil, e pelo PT, partido que se jactava como proprietário da ética no Brasil.

Entre outros da quadrilha, irão para a gaiola os artilheiros da seleção canarinho escolhida pelo ex-presidente Lula para auxilia-lo em seu mandato: os  então presidente da Câmara Federal João Paulo Cunha, presidente do Partido dos Trabalhadores José Genoíno e o Ministro-Chefe da Casa Civil José Dirceu.

Há quem diga que é pouco. Que o importante seria ter devolvido ao Erário o dinheiro que a quadrilha formada na sala ao lado do Gabinete da Presidência da República desviou para comprar apoio político no Congresso Nacional. De fato, melhor seria, e de antemão eu pediria o bloqueio dos bens correspondentes às multas de cada um deles. Mas não é pouca coisa ver esse bando caminhando para o xilindró.

Outro dia li em algum lugar que a gente tem que se preocupar mais em dificultar a corrupção futura do que ficar fuçando na corrupção passada. Estou plenamente de acordo, até porque uma coisa não impede a outra. Digo, tanto em valores materiais quanto imateriais, como moralidade, civismo, cultura, educação, respeito às instituições, ter o Tesouro ressarcido do assalto praticado é que pouco significa diante do exemplo que fica. Toda a gatunagem que tanto atrasa o nosso país agora vai rever sua crença na impunidade.

A pena do Marcos Valério ficou, sozinha, maior do que a dos três quadrilheiros aqui já citados somadas. Dosimetria eu não discuto nem em bar. Para mim o melhor de um coquetel será aproveitado se observada a receita de sua excelência o barman. Sou um nego obediente. Daí que a decisão tomada pelo tribunal mais alto de República não vou discutir. Assim como não vou opinar se a competência de cassar dos mandatos dos parlamentares condenados é do Judiciário ou do Legislativo. Para mim tanto faz. E aqui me estendo sobre a delação premiada prometida pelo Marcos Valério, que começou este parágrafo, para dizer por que para mim tanto faz.

A fim de não apodrecer na cadeia cumprindo a pena de quarenta anos que recebeu do STF, o Marcos Valério resolveu entregar o Lula. É a tal Delação Premiada, ou o vale-empada do alcaguete, coisa de canalha, como disse o Roberto Jefferson, que entregou sem nada em troca. Se é verdade que o ex-presidente autorizou o esquema do mensalão, só a Justiça, depois de investigar a acusação e as provas oferecidas pelo delator, poderá dizer. Mas já disse aqui e repito que o resultado de um concurso nacional de redação valendo mensalão vitalício para o brasileiro que mais se aproximasse do que o Valério falou à Promotoria provavelmente terminaria empatado. Todo mundo acredita na mesma coisa. E é aí o inferno do sujeito.

Política não é uma prática da qual se recompensa em vida. Qualquer político, inclusive os mal-intencionados e notadamente os que chegaram ao posto mais alto possível, a Presidência da República, podem se alimentar de efemeridades mundanas, como láureas, bajulação e dinheiro, mas antes o que importa para ele é o legado. E nisso o Lula já está definitivamente igualado a José Sarney e Fernando Collor de Mello. Tenho certeza que, podendo voltar atrás, os três fariam tudo diferente. Insistem no vício porque sabem que é impossível apagar o passado. E devem se roer de inveja olhando para o Fernando Henrique.

 
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