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O Pedro Paulo sabe de tudo

Para mim arquiteto bom é o Pedro Paulo de Melo Saraiva. Simplesmente tê-lo encontrado no Ilha das Flores na tarde do 24 de dezembro me valeu como presente de final de ano. Me perguntem se vi uma planta, um desenho, uma ideia no papel. Não, nada disso. Arquitetura é antes pensamento, e as coisas que o Papito pensa a respeito, muito embora ninguém diga, são óbvias, profeticamente óbvias, como anotaria o Nelson Rodrigues.

O bocó aqui que vos escreve admira profundamente as instituições hospitalares em São Paulo. Clínicas, Sírio Libanês, Albert Einstein, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, São Luís, Instituto do Coração. Olhando daqui para o resto do Brasil nós paulistanos ficamos exibidos quando o assunto é saúde, e de fato não devemos nada para ninguém nem lá do mundo desenvolvido. Mas quanto a questão é de urbanismo e arquitetura o absurdo é um tapa na cara.

O PPMS me fez ver o que está além da excelência hospitalar. Esses monstros que não param de crescer no próprio entorno são um absurdo para a cidade. Além do tamanho desses hospitais, sobretudo os particulares, provar que o custo da saúde em São Paulo está além do tratamento, incluindo a busca irrefreável pelo reinvestimento e pela ampliação, num desvio evidente de finalidade, urbanisticamente ter tão poucos e tão grandes – apesar de tão bons – não é tão saudável quanto ter vários espalhados pelos bairros, projetados para atender as pessoas de cada paróquia.

Afinal a quem atende esta concentração de hospitais? Se a gente notar que a maioria está na espinha da Paulista então, o absurdo aumenta. Cientificamente pode ter suas vantagens, mas o prejuízo humano é gigante. Pense numa situação de emergência. Ou na situação dos familiares que vão visitar os pacientes. E desses próprios que vêm do Brasil inteiro. Seria melhor tanto quanto mais disperso – aliás, igual a tudo na vida.

Outra coisa que ele me fez ver foi o absurdo de continuarmos erguendo prédios com elevadores de serviço. É um costume tão enraizado que ninguém nota a burrice. Ora, pra que serve um elevador de serviço? Só ao complexo de sinhazinha, que já produziu bizarrices como portas da sala e da cozinha presas em L à mesma coluna. Para casos de obra ou mudança pode-se proteger muito bem o equipamento, e tendo dois ou pelo menos mais um elevador social o prédio todo ganha, em agilidade, conforto, circulação e espaço. Só não vê quem não quer – ou quem não conhece o Pedro Paulo, que sabe de tudo.

crônica publicada no www.cesargiobbi.com.br

 
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