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Comentando as posses

Pensando bem acho que ontem fui injusto, ou pelo menos incompleto na tentativa de encontrar a causa desta onda bárbara de falta de educação. O efeito que escolhi como exemplo, que é ter boas maneiras por hábito principalmente à mesa, não está exclusivamente amarrado à ascensão social em massa, até porque se a posse do dinheiro servisse para tornar alguém minimamente educado a gente não veria tantos ricos malcriados. Foi uma generalização, sempre malacabada como não poderia deixar de ser.

Outras duas causas que eu acrescentaria sem pretender encerrar o assunto são: a enorme quantidade de gente que foi criada por babás desqualificadas, à distância dos pais que estavam trabalhando feito loucos para comprar uma TV maior e agora naturalmente se contentam em ver novela durante o jantar; e a idiotice voluntária dos fones de ouvido somada à música eletrônica que gerou uma surdez prematura e indivíduos cada vez mais alheios ao bando, que não se socializam de verdade nem para dançar.

Mas vim aqui para falar de hoje. Quero falar das posses nos Três Poderes: Haddad na prefeitura de São Paulo, José Genoínio na Câmara Federal e Demóstenes Torres no Ministério Público. Para separar o joio do trigo vou começar pelos últimos.

Se pela lei cabe ao Supremo ou à Câmara cassar mandato de deputado federal tem gente bem melhor para dizer. Vou falar do lado humano, da declaração que me chamou a atenção. O mensaleiro comparou a cobertura da imprensa sobre o julgamento em que foi réu com a tortura. Pode? Sobre ele ter sido ou não torturado no Araguaia há muita controvérsia, mas seja lá como for esta comparação é um desrespeito hediondo com qualquer ser humano que já tenha sido vítima do mais covarde dos crimes.

E o Demóstenes? Imagina a situação do cidadão que, culpado ou não, for denunciado pelo MP e ler o famigerado nome assinando a denúncia. Escárnio é dizer o mínimo.

E enfim, o Fernando Haddad. Tenho esperança na gestão, até porque pior do que está seria impossível. Faz dois ou três dias que o Kassab não é mais o prefeito, e apesar do alívio acredito que vamos precisar de dois ou três anos para reverter o mal que sua passagem pela prefeitura fez à cidade. Se tomarmos a administração pelo que se vê nas ruas – asfalto esburacado, calçadas repletas de mato, lixo e obstáculos (até churrasqueira pode), árvores apodrecendo, semáforos em pane – e nos jornais – denúncias de máfias instaladas em todo canto, da aprovação imobiliária à educação, teremos uma ideia superficial do que o Haddad pegou. Espero que ele esteja à altura do desafio.

Entre as dezesseis medidas anunciadas para enfrentar as chuvas de verão estão obviedades que o meu vereador, Andréa Matarazzo, enxergou e praticou enquanto esteve na prefeitura: recolher o lixo das áreas altas como a da Paulista antes da chuva, limpar córregos, bueiros e galerias mais amiúde, monitorar pontos de descarte de entulho e fazer a coleta, fazer convênios com a Sabesp para utilizar os caminhões hidrojato na limpeza das ruas e outras, incluindo uma lei para facilitar a autorização de podas de árvores, que se não sair por decreto conforme o anunciado, será projeto do Andréa.

E já na fase de transição ele fez muito bem quando mandou parar a Nova Luz. O Kassab, inepto, tinha alterado o projeto original do Andrea Matarazzo e decidido aumentar o perímetro e tirar o pessoal da Santa Ifigênia, que não é outra coisa se não o coração econômico da região. Pois o Haddad, filho de comerciante da 25 de Março, disse que eles ficam. Para ser impecável, prefeito, só falta você pedir pro Lula devolver o terreno de cinco mil metros quadrados que o Kassab tomou da cidade e deu para ele.

Por ora estou satisfeito e espero que o novo prefeito consiga seguir assim: longe do PT e perto dos paulistanos apaixonados pela nossa cidade. Boa sorte, brimo!

 
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