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O instante definitivo

O Evandro Angerami anotou no facebook que nasceu em 1911. Se foi distração, confissão, ou se está errado não tem importância. Todo artista é infinito através de sua obra, e a do Evandro, assim como ele, não tem tempo nem idade.

Mas se engana quem pensa que ele está preocupado com a eternidade. Vive cada momento com intensidade, com tanta força, que parece manso e até ausente, assim como a rocha eterna ante o mar sempre mutante. Ele está ali, convivendo, sofrendo a influência das marés, do vento, da chuva, da vida em seu entorno, certo de que é rocha, mas só aparentemente inabalável.

Na segunda-feira que passou o Black Linhares organizou uma pequena mostra do que o Angerami é capaz. Eram poucas telas e relativamente pequenas, mas que prendiam a atenção de quem chegava como raramente acontece. Imagens que ele foi buscar na Bahia, no litoral e no sertão. Todas lindas e de uma densidade levíssima. Para seguir em termos rochosos, igual à expressão usada para identificar os extremamente hábeis e talentosos, dizendo que eles tiram leite de pedra, este artista consegue tirar luz da tinta, como se cada elemento da natureza emanasse luz própria.

Fique ali, olhando e pensando quanta riqueza há no mundo. Artística, natural, monetária, tanto faz. Aqueles preciosos fragmentos de vida pendurados na parede tornaram definitivas paisagens milenares que mudam a todo instante, porque a luz muda sem parar, assim o vento, a mata, o mercado, a vida.

O Evandro Angerami vai continuar, assim como o Black Linhares, este cronista e o freguês desta página. O que fica é o instante, que é sempre definitivo.

 
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