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Pela memória do Mario Covas

No ano 2000 o Ricardo Montoro tomou posse como vereador em São Paulo. Marta Suplicy era a prefeita, e numa manobra contábil driblou a lei que obriga os governantes investirem no mínimo 20% da arrecadação em educação, juntando na mesma lancheira o pagamento de professores aposentados. Ora, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Então o Montoro propôs na Câmara uma moção de louvor ao petista Jorge Viana, então governador do Acre, que ampliara o investimento em educação para 25% – livres dos repasses a professores aposentados. Foi um lance de gênio que obrigou os vereadores da base festejarem o correligionário acreano pelo mesmo motivo que a oposição criticava a manobra da ex-prefeita.

Depois de tantos anos o PT voltou à base do governo e resolveu dar o troco, só que com um golpe baixo que invés de apelar para algo fundamental como a educação, quer debochar da cultura da cidade: propuseram transformar a obra viária mais importante da nossa história em Viaduto do Chá Mario Covas. É de amargar que usem seus mandatos para isso.

Para a empreitada sórdida escalaram o aliado Vadih Mutran, aquele que apareceu nos jardins do Maluf ao lado do Lula e do candidato Fernando Haddad, aquele que atribuiu sua evolução patrimonial milionária a consecutivos prêmios de loteria, e que saiu pela Câmara colhendo assinaturas dizendo assim: – “É uma homenagem ao Mario Covas”. É uma prática ruim, mas comum das casas legislativas, em que assuntos amenos recebem assinaturas sem a devida atenção.

Ora, o Mario Covas, na intimidade conhecido por Tio Zuza, é uma personalidade incontroversa. Merece ser homenageado em Santos, em São Paulo, no Brasil. Mas é claro que não gostaria de ver seu nome metido numa situação mesquinha dessas. E não é a primeira vez. O Kassab, quando disputou a prefeitura contra o Alckmin, que era do time do Covas, subtraiu mais um naco da nossa história batizando de Parque Mario Covas a casa do Renée Thiollier, que foi entre outras coisas patrono da Semana de Arte Moderna, tendo sediado naquele endereço na Avelina Paulista muitos dos saraus e reuniões que integraram o movimento modernista de 1922.

No lugar do secretário Bruno Covas, do vereador Mario Covas Neto e da família inteira eu não só recusava a homenagem absurda do Mutran, como pedia para devolver ao Thiollier o que é dele, para que o Tio Zuza descanse em paz.

 
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