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Mensalão, a ópera-bufa

O Mensalão foi denunciado com dramaticidade pelo Roberto Jefferson, então deputado federal, presidente nacional de um dos partidos da base lulista e principalmente cantor amador e advogado criminal com eloquência de um tempo romântico. Ficaria perfeito numa ópera-bufa sobre o episódio.

Esteticamente será lembrado pelo roxo extravagante na combinação da gravata e da camisa e, ato contínuo, do hematoma no olho esquerdo.

Também contribuiu com o texto: “Zé Dirceu, se você não sair daí rápido, você vai fazer réu um homem inocente, que é o presidente Lula. Rápido, sai daí rápido, Zé!” E a minha predileta, dirigida ao mesmo interlocutor: “Tenho medo de Vossa Excelência porque Vossa Excelência provoca os meus instintos mais primitivos e eu tenho medo das consequências.”

E a trilha sonora é um primor. Tem de tudo, de música clássica à marchinha de carnaval “ei, José Dirceu / Devolve o dinheiro aí / O Dinheiro não é seu”. E o samba-canção se destaca. Começa com Nervos de Aço, numa explicação do próprio Jefferson sobre o olho roxo, segundo a qual ele estaria buscando um disco do Lupicínio no alto de uma estante quando se deu o acidente. E agora, ao ser preso, ele chama o Ataulfo Alves: “Sua vontade é me ver caído no chão / Mas não caio não porque tenho meu guia de fé / Sou uma árvore / Morro mas morro em pé”. Entre a condenação e a ordem de prisão ele ouviu diariamente a Ave Maria do Franz Schubert, sempre à 18h00, numa precisão que permitia que os vizinhos acertassem seus relógios.

A montagem dessa ópera seria excelente para o Brasil. As lições de como inclusive os vilões podem ter níveis diferentes de dignidade ajudaria muito a reflexão moral da Nação: do Roberto Jefferson, que cai de pé respeitando a condenação sem apelando para o problema de saúde (real); passando pelo José Dirceu que afeta condenação política mas não mia; até o infeliz do José Genoínio, que sai de fralda, miando e simulando uma enfermidade que não tem.

Não custaria caro. Um só ator poderia fazer o ministro da Justiça, o advogado do governo Lula e o advogado do banqueiro patrocinador do esquema ao mesmo tempo sem ferir o enredo. De acordo, doutor Marcio Tomaz Bastos?

Minha dúvida é se passa pela Lei Rouanet. Talvez seja o caso de, na proposta, colocar: Ação Penal 470, o Musical.

 
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