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Pareceu greve, mas foi crime

O que aconteceu com os ônibus na cidade de São Paulo há uma semana teve cara de greve, causou transtornos  de greve, prejuízos de greve, foi chamado de greve, mas não era greve.

Greve é uma ferramenta democrática, garantida pela Constituição, para o trabalhador poder reivindicar seus direitos, notadamente melhorias de condições de trabalho. O princípio da greve é permitir à parte subordinada continuar o diálogo quando a parte dirigente não quer mais conversa. Mas o diálogo só pode ser quando há pelo menos duas partes.

Na semana passada, nada obstante haver uma lista de reinvindicações, seu conteúdo  não passava de uma reedição de condições recentemente negociadas e acordadas entre os sindicatos, empresas e poder público. Mas o pior é que não havia um líder destacado para negocia-las. Assim como os ônibus, que tiveram seus motoristas arrancados dos volantes e seus pneus furados, a lista ficou parada, sem ir avante nem à ré.

Os relatos de quem sofreu o caos na pele são desesperadores. As imagens são de amargar. A cidade, habituada aos extremos, ermo total ou a aglomeração subumana, foi além de onde os superlativos alcançam.

Isso não é greve e muito menos luta pelos direitos essenciais da comunidade.  É sim o sequestro desses direitos, a começar pelo de ir e vir, e com os ingredientes principais de um sequestro: privação da liberdade, inimigo oculto, a cidade inteira por cativeiro.

Os personagens desvelados em seguida são de crônica policial, não de política trabalhista: as reuniões dos mandantes envolvidos na paralisação incluíram pelo menos 13 indivíduos ligados ao PCC e um deputado estadual petista, chamado Luiz Moura, que já foi preso por assalto à mão armada, e que teve 30% dos seus gastos de campanha, algo em torno de R$ 200 mil, bancados pelo Jilmar Tatto, atual secretario de transportes do prefeito Fernando Haddad.

Quer dizer: pareceu greve, mas foi crime. Resta identificar, entre os personagens acima, qual foi o papel de cada um, quem são os mocinhos e quem são os bandidos. Por ora, sabemos as vítimas: milhões de cidadãos paulistanos e vizinhos.

 
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