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Pobre Mãe Gentil

Assisti indignado ao vídeo da sessão de hoje no Supremo Tribunal Federal. Para quem não viu, o advogado Luis Fernando Pacheco vai a tribuna pedir ao presidente Joaquim Barbosa para que seja incluído na pauta o pedido de prisão domiciliar ao seu cliente, o presidiário José Genoínio.

Os dois argumentos do advogado são absolutamente incontroversos: execução penal tem precedência sobre todas as outras matérias, posto que trata da suprema qualidade humana, que é a liberdade, e, com efeito, do caminho para alcança-la, que principia no direito de defesa; e a própria vida – sem a qual mais nada existe –, considerando que o Procurador Geral da Justiça emitiu parecer favorável à prisão domiciliar do condenado, ante alegada e atestada condição de saúde periclitante.

Já escrevi e repito que, tendo um pouco de médico e de louco igual a todo mundo, creio que o problema do Genoíno é depressão causada pela culpa. Se ele confessasse tudo o que fez e que sabe, muito provavelmente continuaria com o corpo atrás das grades, mas teria a liberdade do espírito.

Porém, há um laudo onde médicos de verdade atestam o inverso, que convenceu o Procurador Geral, e obrigatória e urgentemente deveria ser levado a plenário pelo Presidente.

Quando a sessão começa, Barbosa coloca em julgamento um tema secundário. Pacheco vai à tribuna e pede para que, dada a urgência, seu agravo seja tratado como prioridade. Não é atendido e  sequer contraposto: Barbosa se limita a dizer que está na pauta. Pacheco insiste na argumentação apelando pela precedência, inclusive com o microfone cortado. E se dá o absurdo: o presidente do STF pede à segurança que retire à força um advogado do plenário. Pior: quando este já está de saída, sem oferecer resistência, Barbosa faz provocações ao microfone, sem conceder direito de réplica.

O que eu penso do Genoíno está posto, mas tanto faz, porque não se trata de fulanizar o debate, que é institucional, republicano.

É de amargar ter que assistir o atual presidente do Poder Judiciário, notabilizado por ter enfrentado a quadrilha mensaleira que à base de dinheiro anulou o Poder Legislativo, se rebaixar ao mesmo nível dos que desprezam a República. Pobre Mãe Gentil.

 
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2 Comments  comments 

2 Respostas

  1. Maria Helena

    O desrespeito é tão visível hoje em qualquer instancia,que qualquer advogadinho se sente no direito de interromper uma discussão em pauta para apelar pelo seu cliente!!!!De homens com coragem é que o Brasil está precisando para pô-lo nos trilhos outra vez!Me desculpe por discordar de vc. mas novamente J.Barbosa teve de v
    aler-se de sua autoridade!quero que os hóspedes da Papuda mofem ali, infelizente a nossas custas!!!!!!!

  2. Oswaldo Lunardi

    Assistimos a dois vídeos diferentes, tratando o mesmo assunto.