Facebook YouTube Contato

Não vamos nos confundir

Num artigo recente desses dias em que os anos se confundem, o Fernando Reinach, biólogo que escreve no Estadão, nos apresentou a um tipo de peixe que é camaleão de nariz. Digo, igual ao réptil que mimetiza o ambiente em que está para confundir a visão do predador, há um peixe que faz o mesmo através do olfato.

O peixe esperto habita a grande barreira de coral da Austrália, mas pela descrição a gente logo conclui que não é o Nemo. Diferente peixe-palhaço, listrado e com deficiência em uma das nadadeiras, este peixe tem bico amarelo, pintas redondas e uma malandragem que livraria o astro da Disney do tubarão: se alimentando dos corais onde vive, absorve e exala o mesmo cheiro do habitat, confundindo o predador. Para continuar no cinema seria como se uma jovem senhora usasse colônia masculina invés de perfume de mulher a fim de escapar das investidas do coronel Frank Slade.

No Brasil de hoje ocorre um fenômeno parecido. A “pátria educadora” cantada no primeiro dia do ano pela presidenta Dilma ainda ecoa pelo vazio de sua posse, mas passados sete dias a realidade chegou: o Ministério da Educação foi o maior prejudicado pelos cortes previstos no orçamento. A intenção é a mesma do peixe: confundir a atenção.

E a confusão continua nos escândalos de corrupção. A vontade é embaralhar ao máximo qualquer tipo de informação para confundir quem procura entender. Com o mensalão deu certo. Mesmo gente tida como esclarecida trata do caso do Eduardo Azeredo como “mensalão do PSDB”, ou o do José Roberto Arruda como “mensalão do DEM”. Mas o mensalão é um só e caracteriza a mensalidade que uma quadrilha liderada pelo PT pagava à base do governo Lula para manter o apoio no Congresso.

Nota-se que com o petrolão buscam fazer o mesmo. Os políticos políticos citados na Operação Lava Jato tentam mimetizar o ambiente incluindo entre os que devem ser cassados todos os 243 deputados e senadores que receberam publicamente doações legais das empreiteiras envolvidas, ampliando a lista a ponto de travar o Congresso e confundir a opinião pública.

O debate sobre financiamento de campanha eleitoral é importante, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não vamos nos confundir.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments