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House of Cards e Felizes para Sempre?

House of Cards e Felizes para Sempre? foram as donas das minhas noites desde sexta-feira. E das madrugadas também. Ontem expiraram. Estou contente, mas a crise de abstinência se anuncia. Fico aflito só em pensar que a próxima temporada americana ainda demora um ano, e que para brasileira sequer há previsão. Não invejo quem ainda tem episódios inéditos. Admiro a moderação, mas não uso. Me lembro de um amigo de infância que bebia Yacult em vários goles. Achava interessante, tentei fazer igual, porém percebi que não era para mim.

Felizes para Sempre? só peguei no Net Now. Em dez parcelas, como foi exibido na TV Globo, eu não conseguiria acompanhar. Ouvi com resignação todos os comentários elogiosos à trupe do Fernando Meirelles, acreditando na tecnologia e na boa vontade da teles. Quase quebrei a cara quando enfim ela chegou, pouco antes da quarta temporada de House of Cards. No final de fevereiro a Net vendeu o pacote inteiro com permissão de uso até sete de março, mas só o primeiro episódio aparecia disponível. Cheguei a encarar o telemarketing para reclamar, perguntando se eles pretendiam dar aula de distribuição ao Netflix, evidentemente em vão. Minha sorte foi que o Frank Underwood chegou na última sexta-feira e, quando se retirou, a Danny Bond já estava completamente disponível.

Notadamente em arte, termos comparativos não colaboram. Apesar de terem a mesma forma e enredo semelhante, convém não contrapor as séries. O mesmo não vale para os aspectos culturais do Brasil e dos Estados Unidos.

Tanto aqui como lá o espírito da corte prevalece sobre o da cidade. Em Buenos Aires, Paris e Tóquio, por exemplo, é o inverso. E Brasília, pela arquitetura, pelo urbanismo e pela idade, que interferem diretamente na sensação de pertencimento social, é ainda mais instigante que Washington.

Mais instigante e mais cool. Com todas as virtudes e vícios que um cenário como o de Brasília despertam em quem exerce o poder, é para a gente se ufanar sem pudor do Lúcio Costa e do Oscar Niemeyer.

A Casa Branca está mais para Daslu do que para a sede do governo mais poderoso do mundo. O que significa o Salão Oval? Muito me admira que o Clinton e o Kennedy tenham conseguido aprontar tanto quanto dizem naquele ambiente que lembra a sala de chá de uma senhorinha viúva. Vá lá que inspire austeridade, mas chega a ser constrangedor imaginar que o presidente dos Estados Unidos despache e receba outros chefes de Estado naqueles sofazinhos comuns.

Já o Palácio do Planalto é de uma sensualidade tamanha que, se por acaso surgir um Super 8 de uma festinha de embalo em pleno terceiro andar, com Dragões da Independência fazendo cócegas em freiras carmelitas sob o olhar do general Castello Branco de sarongue, bebendo ponche num coturno, ninguém pode estranhar.

E a Danny Bond? Fosse encomendada ao Niemeyer não teria saído outra. Na forma afirma a mulher brasileira. Coxas juntas, bunda redonda, cintura fina, peitos delicados. Tudo é estonteantemente natural, no limite da perfeição. No espírito é Brasília, elegante, erudita, original, mentirosa, atrevida e cortesã.

 
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