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Distritão, não: Temerão

É praxe nas casas legislativas apelidar um trabalho dedicado com o nome de quem se destacou durante o processo. Vale para tudo e para todos: leis, pacotes, planos, propostas, emendas podem acabar batizados inclusive com o nome de um cidadão comum. Da ponta da língua solto a Maria da Penha, o Rouanet, o Bresser, o Dante de Oliveira.

Isto posto, nada mais justo do que homenagear o vice-presidente da República Michel Temer, que tanto vem se dedicando na reforma eleitoral à defesa do chamado Distritão, com seu próprio nome. Distritão, não: Temerão.

Ora, além de fazer justiça ao presidente do PMDB que pariu a ideia, a adequação do nome faria bem à história, para a gente nunca se esquecer de onde ela saiu ou, antes, quem a importou do Afeganistão, um dos  raríssimos países onde o sistema existe. Se passar na votação de hoje, quando seus efeitos surgirem os brasileiros se lembrarão do Temerão. Se não passar, na eventualidade do assunto voltar à tona no futuro, os brasileiros se lembrarão do Temerão. É justo.

E acima de tudo ajudaria na comunicação da ideia. Se o Michel Temer acredita mesmo nos benefícios que virão com  o Distritão, digo, Temerão, tudo o que ele não quer é que ideia tão brilhante se misture à proposta do voto distrital. Da maneira que está apresentada, à menor desatenção tônica dá-se a confusão.

E mais: enquanto o voto Distrital fortalece os partidos, o Temerão anula todos eles; se o Distrital diminui os custos da campanha eleitoral, o Temerão extrapola; o Distrital aproxima a população dos representantes, o Temerão afasta.

Com tanto antagonismo, ambos não merecem ser confundidos.

Então a Cesar o que é de Cesar e com clareza: Distritão não, Temerão. Escolha o seu.

 
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