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Repetir, repetir, repetir, repetir

Para ninguém dizer que nada mudou com a não-reforma eleitoral, a Câmara ontem jogou três biscoitos à massa.

O primeiro e muito comemorado por aí é o fim da reeleição. Passou com folga, quase unanimidade. Placebo? Para mim é pior. O efeito ilusório de que muda alguma coisa é tão nocivo quanto uma pílula de farinha vendida como remédio de verdade. Quem é capaz de usar a máquina para se reeleger fará o mesmo para garantir o sucessor. Nomes aos bois dizem mais do que mil palavras: Quércia-Fleury, Maluf-Pitta. Lula-Dilma. A turma estar contente é um perigo.

Também colocaram na Constituição que os CNPJs podem doar dinheiro aos partidos durante as campanhas eleitorais, e que os partidos podem transferir os recursos aos candidatos. Os CPFs poderão doar direto ao candidato. A turma não gostou. Acham que a corrupção mora aí. Como se proibir resolvesse o caixa-dois. Curioso é notar que os partidos ditos progressistas são veementemente contrários ao dispositivo. Mas quando se trata de liberar a maconha advogam justamente o contrário, isto é, que a proibição só faz aumentar o crime. Digo e repito que gostei, acho bem melhor que seja por dentro, declarado e transparente, e que cada vez mais pessoas físicas ou jurídicas doem tempo e dinheiro às campanhas eleitorais. Compromete o candidato? Sim – e isso pode ser uma coisa boa. Depende, de novo, de transparência e coerência.

Ainda falta o Senado falar, mas deve fazer eco à duas.

De qualquer maneira, é pouco, muito pouco ante à expectativa.

Ah, o terceiro? Bom, a Marcha da Liberdade andou mil quilômetros para pedir o impeachment da Dlma. Chegou a Brasília e encontrou um Eduardo Cunha baleado pela derrota retumbante do seu Distritão, digo, Temerão. Foi o socorro que ele precisava. Recebeu a tropa transbordando de endorfina, deslumbrada com aquela cidade linda feita de palácios encantadores, serviu cafezinho, distribuiu sorrisos, tirou selfies e disse que vai mandar o pedido para o corpo técnico avaliar. Deve levar um mês até entrar tudo na gaveta, mas até lá ele convalesce bem enquanto ameaça o Planalto. E os romeiros gostaram! Voltaram satisfeitos, não sem antes posar para outras selfies, com Bolsonaro, Feliciano e outros próceres.

Hoje tem mais: tempo de mandato, cota para mulheres, fim das coligações e, mais importante, coincidência das eleições.

Amanhã eu volto. Para não me estender muito, protesto desde já contra o absurdo que seria a coincidência das eleições. Votar a cada quatro anos, com três meses de campanha para conhecer e analisar de uma vez candidatos presidente, governador, prefeito, senador (es), deputado federal, deputado estadual e vereador seria a separação definitiva do eleitorado e seus representantes e, com efeito, da independência entre os Poderes Executivo e Legislativo.

Repetir o que? Só o parlamentarismo e o voto-distrital poderão nos salvar. E terá que ser pelo voto direto, em plebiscito ou referendo.

 
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1 Comment  comments 

Uma resposta

  1. Thank you! Numerous write ups!
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