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E repetir

A terceira rodada da reforma política confirmou que a Câmara Federal, ao contrário da sociedade, está satisfeita com o modelo atual e fará de tudo para sustenta-lo – até porque é ele que a sustenta.

Sobre o tempo de mandato o debate ficou em torno dos senadores: aumentar de oito para dez anos ou tirar três anos do mandato reduzindo para cinco anos. Isto é: está claro que suas excelências os senhores deputados federais já decidiram pelo aumento de 25% dos próprios mandatos – e, com efeito, dos colegas estaduais, vereadores, prefeitos, governadores e presidente da República.

A cota para mulheres sequer mereceu notícia. Não sei se foi votada ou adiada – e confesso que estou com preguiça de procurar saber.

A cláusula de barreira passou, mas é como se não tivesse passado. Com apenas um representante no Congresso, deputado ou senador  ~ quebra, quebra que eu quero ver ~ um partido terá direito a um quinhão do fundo partidário e tempo de televisão. O primeiro é o arroz com feijão dos partidos nanicos, o segundo é o filé que os partidos grandes bancam no período eleitoral, para enriquecer as próprias campanhas – há quem diga que é vendido com base na tabela de publicidade do Jornal Nacional (A exceção mais conhecida é a do Enéas, que se vira nos quinze duas ou três vezes para depois fazer um milhão e meio de votos tiririca/cacareco como deputado federal.)

A cláusula de barreira branda como ficou nos leva direto para a manutenção das coligações partidárias. Aquela sopa de letrinhas sem nenhuma substância que faz o José Genoíno mensaleiro tomar posse com ajuda dos votos do Tiririca e o Lula ir ao jardim do Maluf buscar o tempo de TV do PP para o Haddad, e que só harmoniza com os Romanée-Conti da celebrada adega da rua Costa Rica.

A abjeta unificação das eleições ficou para o final de junho. Por incrível que pareça a luz vem do fim do túnel, ou mais exatamente do outro lado da praça dos Três Poderes: o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, disse que seria impraticável acompanhar três milhões de candidaturas e prestações de conta de uma vez. É óbvio. Se nem a mas importante de todas e única, que é a da Presidência da República, eles dão conta, permitindo absurdos como o dos carteiros panfletando para Dilma, imagine como seria vigiar três milhões.

Tudo isso prova que a Câmara Federal perdeu o caráter de representatividade da sociedade. Os representantes querem uma coisa completamente diferente do que pedem os representados. Mas é o presidencialismo e eles ficarão pelo menos até 2018.

Então, de novo, repetir o que? Que no parlamentarismo esta Câmara seria dissolvida e novas eleições seriam convocadas.

 
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