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Emenda Dona Onça pela redução de caldos

Ontem fui almoçar no Bar da Dona Onça com dois amigos do PSDB. A ideia era festejar a própria Dona Onça, nossa querida Janaína Rueda, pelo trabalho que ela faz voluntariamente na Fundação Casa, ensinando uma profissão aos menores internos.

Alguém já disse que cozinhar é um ato de amor. Nesse caso da Jana é redundante. Ensinar cozinhar é duas vezes amor. E esperança. E fé.

Ela postou no facebook uma foto com o Deybson, ex-interno e hoje seu funcionário no bar. E com a derrota da proposta de redução de maioridade penal fomos festeja-la pelo exemplo de que existe sim um caminho mais sensato e seguro para um mundo melhor: não à redução da maioridade, sim à redução de caldos, molhos e afins.

A conversa foi muito boa. Ela explicou alguns pontos que escaparam à discussão inclusive na Câmara Federal. Por exemplo: não se pode contratar um menor de idade em regime comum, a jornada é necessariamente reduzida. Isto é: se a carga tributária já é difícil para o empregador, no caso de um menor ela aumenta. Então quase ninguém faz. Quem abre exceção ainda corre o risco dele ser chamado para o Exército e ter que arcar com a despesa sem ter o trabalho.

Ocorre que a rapaziada quer dinheiro. Quer “ter um crédito de rosas no florista, muito mais, muito mais que na modista, para viver um grande amor”. Ok, não é bem assim, eles querem tênis importado, celular, boné americano e uma grana para passear com as meninas. Mas os versos do Vinícius já protestavam contra esse caminho.

Então, sem dinheiro dos pais e sem meios para ganhar honestamente, partem para o crime. O mais comum, ao contrário do que eu imaginava, é o chamado 157, mais conhecido nesta freguesia como roubo à mão armada, e não o tráfico de drogas.

A chamada pedalada regimental do Cunha que revisou a decisão da Câmara menos de 24 horas depois não vou discutir. Com algumas mudanças o texto passou e agora vai ao Senado. Ficou bem menos ruim do que estava, prevendo exclusivamente crimes hediondos. Foram retirados o tráfico de drogas, a lesão corporal (popular porradaria, infelizmente muito comum na juventude) e o roubo à mão armada. Também fica garantida a internação em lugar específico – como a Fundação Casa – até os dezoito anos e depois em cadeia comum porém separado dos demais.

Particularmente continuo preferindo a proposta do senador José Serra de alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente e estender o prazo de internação de menores de idade em até oito anos. E quem sabe, de quebra, rever as possibilidades de trabalho e cursos técnicos antes que o pior aconteça. Poderia se chamar emenda Dona Onça. Vamos aguardar o Senado e a voz da experiência.

 
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