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José Dirceu, o consigliere do ano

José Dirceu é feito de um tipo raro de barro. As evidências são muitas, mas uma imagem de sua “linha do tempo”, publicada com a notícia do sol quadrado ao quadrado ontem nos portais, é emblemática.

Na foto do grupo de presos políticos selecionados como moeda de troca para o resgate do embaixador americano sequestrado por um grupo terrorista durante a ditadura militar, todos estão algemados esperando o embarque para o exílio na pista do aeroporto. E o Zé Dirceu é o único que exibe orgulhosa e serenamente as pulseirinhas.

Outro dado impressionante na sua biografia é o casamento no Paraná. Enquanto o vacilo clássico do marido infiel é trocar o nome da matriz pelo da filial na hora do amor, ele se casou, teve filho, teve amante, tudo sem dar um pio sobre sua verdadeira identidade.

Mais um? Do primeiro time do primeiro governo Lula, que enfrentou a eclosão do mensalão, todos sofreram com algum tipo de doença grave: além do próprio Lula, Marcio Thomaz Bastos, José de Alencar, José Genoíno, Luiz Gushiken, Dilma Rousseff. Só José Dirceu se salvou. (O Palocci não conta, sempre foi moita.)

Das condenações do mensalão, sinto náuseas só de lembrar o mimimi do Genoíno com aquela fralda cheia de passarinhos, pendurada no pescoço a la capa de super-herói. Meu nojo era tamanho que me surpreendi acalentando um tipo estranho de admiração pela altivez do Zé Dirceu, que que definhou mas nunca miou.

Foi solenemente abandonado pelo Lula, que sem ele não teria ido além de São Bernardo. Rui Falcão, presidente atual do PT, emitiu uma nota no dia da reprisão sem se lembrar de cita-lo. Dilma também calou, mastigando o churrasco que mandou assar para a base de congressistas que o governo sustenta.

E o nego segue firme para Curitiba, recusando de antemão qualquer tipo de delação. Seu irmão dançou e ele não se abala. Sua filha mais velha está citada e ele não se abala. Seu único pedido foi preservar a filha caçula de ve-lo embarcando no camburão.

Se a Cosa Nostra ou a Camorra tiverem um prêmio mundial, um tipo de Nobel da Omertà, que é o código de silêncio da máfia italiana, José Dirceu ganharia fácil o Consiglieri do Ano. Ou da década?

 
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1 Comment  comments 

Uma resposta

  1. Fabio Nunes

    Vale sim o troféu, porem mais que isso, foi bem treinado em Cuba isso não podemos negar, da rave em Ibiúna para fundador do partido mais bem profissionalmente organizado que o Brasil já teve. Uma Cosa Nostra as claras.