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Renuncia

Fernando Collor, Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Joaquim Roriz, Severino Cavalcanti, José Roberto Arruda têm muita coisa em comum, e entre elas está a renúncia.

Quem mais? Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, Eduardo Campos: todos renunciaram.

Sergio Cabral, o filho, também.

A renúncia mais famosa talvez seja a do Jânio Quadros. A incerteza é uma usina de assunto. Outra das grandes foi a do Getúlio Vargas, acabando com o Estado Novo, mas esta foi abafada pelo estampido do suicídio, dez anos depois.

Eu era criança quando ouvi falar em renúncia pela primeira vez. História de família. Meu tio avô Franco Montoro era governador e os tios contavam que, em seu primeiro mandato como vereador em São Paulo, um dia ele não aguentou, subiu à tribuna e renunciou escandalizado com um colega chamado Willian Salem, que comprava votos em plenário, talão de cheques sobre a bancada.

A turminha do primeiro parágrafo queria escapar da cassação que tira direitos políticos protelando em muitos anos seu retorno. O time do segundo parágrafo saiu de um mandato para disputar outro logo em seguida, e o Cabral para manter o Pezão no poder. Sobre o Jânio você deve conhecer uma ou mais versões, e a minha é que ele esperava voltar soberano e totalitário nos braços do povo (bebida faz o homem ficar onde está). O Estado Novo acabou simultâneo a outras ditaduras do mundo depois da Segunda Guerra.

O Montoro, apesar de escandalizado, calculou botar todas suas fichas num choque de moralidade. Era tudo ou nada. Deu certo. O temperamento espanhol se confirmou trinta anos depois. Como governador de São Paulo, ele bancou o primeiro comício das Diretas. Arriscou perder o governo, ganhou a redemocratização.

Sem exceção, os políticos citados pediram para sair olhando para o futuro. Mas e a Dilma, que futuro pode ter? Que falta faz direitos políticos a quem nunca gostou ou pretendeu fazer política? Um mínimo de grandeza e dignidade, para quem sabe montar um instituto e dar palestras? Sobre o quê? Meta, mandioca, um cachorro atrás?

Por isso tudo, infelizmente, duvido que ela renuncie. Resistirá até o fim, sob pena de impeachment ou cassação. Resistente e teimosa como uma mula, ela tem força pessoal para aguentar. O problema é que o Brasil não aguenta mais.

 

 
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1 Comment  comments 

Uma resposta

  1. Rafael Correia

    Não faz sentido resistir ao irresistível. Ela criou um clima extremamente propicio a sua própria derrocada. Inflação voltou, pedaladas fiscais triunfaram, maquina do estado inchou e o poder de compra do povo foi corroído pela falta de planejamento, e pelo excesso de desvios com os investimentos no que estava mal e porcamente planejado.
    O impeachment é inevitável, e todas as condições criadas pela autora do impeachment hoje nos mostram ser um caminho sem volta para que o país volte a respirar livre novamente!