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É a economia estúpida

O profeta Ram Ragajopal disse o óbvio: – “O primeiro muro que erguemos é para nos separar dos nossos vizinhos”.

E não é uma cerquinha no fundo do quintal, para evitar que o cachorro ou as crianças incomodem com suas prováveis travessuras. É um muro de pedra, alto, denso, aparentemente intransponível, para negar o próximo e alimentar a sensação de propriedade. É a cidadela atávica.

O vizinho pode ser o irmão de sangue que ficou com a metade do terreno que herdamos: os pedreiros entram assim que o inventário sai. Quando não precisamos uns dos outros, erguemos o muro.

E o inverso é verdadeiro. Quando precisamos dos outros, não só abolimos os muros como nos esforçamos para fazer a fachada mais convidativa. Se é loja, capricho na vitrine, aviso de ar-condicionado convidando para entrar? Nos escritórios, recepção caprichada e a balconista mais bonita e sorridente. Os bares têm toldos, mesinhas na calçada. Há hotéis com homens de casaca e luvas brancas para receber quem chega.

É a economia estúpida. Do próximo só queremos o dinheiro. Além disso, é cada um por si e os muros entre nós.

A Europa não está compadecida com o drama dos refugiados e imigrantes. A conta é simples: sai mais barato receber centenas de milhares de pessoas pacíficas do que a visita de dois ou um terroristas. E como não há muro capaz de barra-los, deixa estar e aumentar o horror do exército islâmico no Oriente Médio.

O Brasil não recebeu imigrantes europeus por bondade. Quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, os fazendeiros decidiram que se tivessem que pagar alguém para trabalhar, que fossem brancos; e os industriais preferiam importar gente instruída do que formar mão de obra por aqui. Deixaram estar sem destino milhares de negros alforriados.

É horrorosa, desumana e sobretudo burra essa economia. De novo, o inverso é verdadeiro: a fraternidade, a solidariedade e a inteligência estão em derrubar os muros e extinguir as fronteiras. Vale para o comércio de bairro e para o internacional; vale para o hall do seu elevador e para os oceanos.

 
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