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De mtb@god para lula@pt

Renan Calheiros iria à China. Iria. Cancelou em cima da hora. A desculpa oficial foi austeridade em tempos de ajuste fiscal. Cascata. Por austeridade ele teria cortado outras inúmeras despesas, como a dos carros novos que cada um dos 81 senadores receberam na semana passada.

Renan (PMDB-clássico) não foi à China por uma questão de disponibilidade: o presidente do Congresso não poderia deixar Brasília justamente no início da primavera, que coincide com o prazo que Eduardo Cunha (PMDB-BBB) deu ao Hélio Bicudo para a correção de faltas técnicas verificadas pelos burocratas da Câmara Federal no pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Curiosamente, tanto a primavera quanto a resposta do doutor Bicudo têm dez dias para chegar.

Até lá, Michel Temer (PMDB-clássico) beberá vodka, comerá caviar e escreverá haikais na Rússia, simulando desprendimento. Resta saber se levou dona Marcela. Se não levou, significa que assiste House of Cards: por via das dúvidas é melhor não apresentar mulher bonita aos russos.

Mas eu queria falar da ausência. Quem deveria ter feito a mesma coisa que o Renan mas preferiu tirar férias foi o Elio Gaspari. Na falta dele a gente vai fazendo o que dá. Aqui de baixo, tentarei fazer a minha parte com a carta que o Marcio Thomaz Bastos teria enviado ao Lula:

De mtb@god para lula@pt

Lula querido,

Em que pesem as tantas manifestações em contrário, vivi sim entre os mundanos. E fiz o que pude. Minha máxima era: “Um caso tem que dar pão ou tem que dar glória. Se der os dois, melhor”. Tive muito de ambos na Terra. Hoje sublimei tudo isso e me permito a colaborar sem esperar qualquer coisa em troca.

O moço de Curitiba enfim chegou a você. Era inevitável. Sei do meu quinhão de culpa, ou mérito. A história há de julgar. Quando na Esplanada fortaleci as instituições, notadamente a Polícia Federal. Também era inevitável. A parte boa é que fiz cada um deles saberem o peso da responsabilidade. O pedido que o Teori recebeu na semana que passou mostra que o delegado Josélio está ciente do fardo e foi prudente ao embolar você, que não tem mais foro privilegiado, com os investigados menores que têm. Nem gosto de imaginar o que poderia ser caso a PF baixasse em São Bernardo numa manhã de sexta-feira.

Sabe, esse boneco inflável que circula por aí pode ser visto inclusive daqui e as pessoas estão se acostumando com a ideia. No nosso tempo seria você em Veneza, gondolando para dona Marisa. Mas o nosso tempo passou. Então quanto antes a gente enfrentar o problema, melhor. O prazo urge.

A estratégia agora é a mesma do mensalão (ah, que privilégio poder enfim chamar as coisas pelo nome, não aguentava mais dizer AP 470 e ter que traduzir em seguida). Vamos rolando até aonde der e, no limite, pedir para desmembrar e mandar para a primeira instância. Então é rolar e recorrer até prescrever.

Eu sei, eu sei. No mensalão não deu certo. Mas você não estava e agora quem não está sou eu. Vai por mim e creia: se daqui eu não consigo enxergar uma saída melhor, aí é que ninguém poderá faze-lo.

Abraço fraterno do seu
Marcito

 
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1 Comment  comments 

Uma resposta

  1. Oii tudo bem? muito bom! amei o assunto. Gente estou adorando o colch