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O financiamento privado de campanha é uma droga

Em entrevista ao Canal Livre, da TV Bandeirantes, o senador José Serra foi explícito sobre o financiamento privado de campanhas eleitorais: “Ruim com ele, pior sem ele”.

E emendou: há mais ou menos vinte anos, quando era proibido, a esculhambação era muito maior. O grosso da verba vinha do caixa-dois das mesmas fontes, mas era legalizado com recibos assinados pela pelegada que se prestava a esse papel.

Na semana passada o Supremo Tribunal Federal decidiu pela proibição de doações de empresas a campanhas eleitorais e não faltou quem comemorasse como quem encontra a panaceia contra a corrupção. Piada.

A história recente prova que proibir doações de empresas para moralizar campanhas eleitorais terá o mesmo sucesso que proibir o adultério para moralizar os casamentos.

É claro que permitir as doações de empresas não é o ideal, mas sendo inevitável, tanto melhor que sejam declaradas e de conhecimento público, facilitando o controle e possibilitando a comparação entre as decisões dos governantes relacionadas aos seus patrocinadores no período eleitoral.

Os defensores da proibição apostam em mais igualdade na disputa com a diminuição da importância do poder econômico e citam diversos países que tomaram a mesma medida. Mas a proibição das drogas está aí para provar que o mundo inteiro pode estar errado em conjunto, e que a proibição nos legou drogas mais sujas, mais acessíveis, aumento estratosférico do poder econômico do crime organizado de um lado e, do outro, muitos outros bilhões desperdiçados pelos Estados financiando um combate vão.

As reformas que funcionariam passam obrigatoriamente pelo voto distrital e o parlamentarismo, estes sim capazes de derrubar o custo das campanhas e empoderar a participação popular na vida política, aproximando representantes de representados. Mas não por mera coincidência, esta possibilidade passa ao largo dos interesses pessoais de quem hoje toma as decisões.

Por ora, vale o que o Winston Churchill disse sobre a democracia: tanto para as drogas quanto para o financiamento privado de campanha eleitoral, a legalização é a pior solução – exceto todas as outras tentadas de tempos em tempos.

 
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