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A simplicidade é lusitana

O Dias Lopes, craque do jornalismo de comer, beber e viver bem, pelas redes sociais vai dando notícias do seu passeio em Portugal. Está uma delícia, recheado de história do mundo misturada a lembranças pessoais.

De repente, uma ode aos morcegos. É que os produtores de vinho do Alentejo,  no lugar de tantos defensivos químicos, instalam casinhas no alto de postes entre as videiras para hospedar os morcegos, predadores naturais de insetos. Elementar: de noite os ratos voam sobre a plantação e comem as pragas, defendendo a lavoura.

A técnica não é nova. Muito pelo contrário. Tampouco é exclusividade rural. Na Universidade de Coimbra, berço da Língua Portuguesa, a biblioteca Joanina, com seus 502 anos, usa até hoje o mesmo método para proteger o acervo.

No tempo em que os chamados produtos orgânicos vêm ganhando espaço no cardápio e  nas cartas de vinho com ares de modernidade, bacana é saber das soluções clássicas, simples e naturais, resolvendo problemas que os “sábios” do século XX tentaram resolver com sofisticação, criando um infinito de problemas secundários.

E já que passamos pela biblioteca, chamemos os mestres. Um século atrás o Eça de Queirós já gozava a sofisticação da indústria no brilhante A cidade e as serras. E o Fernando Pessoa escreveu “Que o mar com fim será grego ou romano / O mar sem fim é português”.

Mas o que tem o mar? Bom, um pesquisador de Santa Catarina, preocupado com o fornecimento de água no Nordeste, descobriu um método natural que torna potável a água salgada. Como? Observando plantas que cresciam em águas salgadas. “Significa que ali há microrganismos que transformam a água salgada em água doce, caso contrário a planta não sobreviveria.”

A partir disso ele inventou um método de dessalinização com bambus. Além de ser em todos os sentidos muito mais acessível do que as máquinas produzidas mundo afora, o dessalinizador natural praticamente não deixa resíduos, porque os bichos, ou microrganismos, se alimentam do sal. O projeto andou e Recife e Natal já estão em obras para receber as estações de tratamento.

O nome dele? Galdino Santana de Limas. É brasileiro, mas bem poderia ser português. Porque A sofisticação pode ser grego ou romana / A simplicidade é lusitana.

 
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