Facebook YouTube Contato

Paulista aberta ou fechada?

E a Paulista, está fechada ou aberta aos domingos? Neste momento agudo de polarização, freguesa, sua resposta pode dizer muito.

Pessoalmente acredito que está aberta. Deliciosamente aberta. Passear pela avenida cume da cidade de São Paulo absolutamente livre de carros é uma experiência fantástica.

Subo a Haddock Lobo desde a esquina com a Tietê, onde viveu o presidente Washington Luiz, e diante de um sinal fechado dobro a esquina para ganhar mais uma quadra, escalando o morro pela Bela Cintra. Minha ideia era fazer o percurso todo, da Consolação até a Praça Oswaldo Cruz e descobrir a nova escultura da Tomie Ohtake, oferecimento do Citibank que finalmente ganhou a rua (a primeira fica atrás das grades do emblemático edifício Coopersucar, esta sim protegendo a obra do filho Ruy).

Começo e descubro de cara o túnel fechado, ou aberto, para o passeio a pé. Haverá coisa mais lúdica do que um túnel liberado para fins diversos? De qualquer maneira, sozinho, não aproveito. Busco o sol e o céu. E a Tomie.

Continuo e aproveito a delícia que é estar sozinho em meio a tanta gente. Na Paulista é sempre assim, tanta gente, mas no domingo, como diria o Sérgio Porto, somos mais felizes. Flanar é uma maravilha da cidade, e perder-se em dia de folga tem mais graça pela descontração das pessoas. Aquele tiozinho contador que amanhã cedo estará apressado, hoje passeava em frente à sede de um banco, quiçá ignorando o saldo em conta. E se misturava. Como é bom se misturar, ou se encontrar, e perder o caipira urbano que há em nós.

Pensando que a Tomie estaria no meio, digo, no centro, passei por ela sem reparar. Fui até a praça dos food-trucks e voltei me perguntando por que é que eles não ficam espalhados. Mas o que me distraiu com certeza foram os prédios residenciais. Na Paulista ordinária a gente não vê todos eles. Daquele muito chique em frente a igreja de São Luiz Gonzaga, passando sempre pelo Paulicéia, chegando ao azulzinho debruçado sobre o bosque do Hospital Santa Catarina, babo em todos.

E por falar em hospitais, o que eles acham da Paulista fechada? Bom, eles acham aberta. Simples: uma ambulância em emergência que encontra congestionamento de carros não passa. A gente se espraia e abre caminho com facilidade. Salva vidas.

E o comércio? Consta que os bares estão contratando mão de obra extra para os domingos. E os camelôs que impedem o passeio durante a semana ficam imperceptíveis. Hoje só reparei em um que vendia coisas de circo. Confesso que gostei – perdoem a contravenção.

Mas o que encanta é a música. Tem para todo gosto. Quem diria tantos metais vingando a cidade surda de tanto escapamento? A FIESP preparou uma orquestra regida pelo maestro João Carlos Martins e com direito a oboé. Jesus Alegria dos Homens abriu a tarde – porque é Natal. O quarteto de jazz incluindo clarinetista tocando pegado à antiga Villa Matarazzo era Maysa para todos. E a banda de frevo Fervo da Vila levou meia dúzia. Só faltou a tuba do Marcelo Casarini e o vagão de flores “on-line” que ele inventou para a cidade.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments