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2015, o ano do diagnóstico

No Brasil, o jeito bom de olhar para 2015 é como o ano do diagnóstico. Não há dúvida de que chegamos a última folha do calendário numa tristeza profunda. Mas é a mesma tristeza do paciente que recebe a notícia de que está doente. Absurdo seria supor que melhor é continuar ignorando o fato.

Ainda estamos na fase da negação, de procurar um fator externo para botar a culpa. Saber que estamos doentes é um primeiro passo e não é pouca coisa. Agora falta sabermos exatamente por que e desde quando.

Vamos chamar a doença de depressão. Quando estávamos eufóricos, fazendo todas as bobagens que a euforia proporciona, os sintomas já eram claros. Mas a euforia cega. Os poucos amigos que avisam são escanteados pela horda de bajuladores aproveitadores.

Quem engoliu o mensalão como mero esquema de corrupção hoje tende a acreditar que o petrolão é só um assalto maior. Ou que as pedaladas foram meras irresponsabilidade fiscal. É a visão monetarista, própria de quem não consegue enxergar as coisas além do dinheiro.

Os que pensaram assim são os mesmos que ficaram calados esses anos todos. Aceitaram o “rouba mas faz” do Lula do mesmo jeito que aceitaram Adhemar de Barros, Paulo Maluf e outros tantos.

O que eu vou dizer vai doer: você que pensou assim nos últimos dez anos é cumplice do lulopetismo. Agora pode bater o pé, espernear, postar o dia inteiro nas redes sociais, ir para a rua. Tem efeito analgésico, mas não apaga uma década de omissão nem é o que trará a cura.

Derrubar o governo atual e prender os protagonistas dos esquemas não vai acabar com o lulopetismo. Ele pode mudar de nome, até porque já foi ademarismo, malufismo, mas continuará entre nós, dentro de nós, impregnado em cada garganta que preferiu engolir mais uma picanha no churrasco de sábado do que dedicar uma delgada fatia do seu precioso tempo para discutir o coletivo.

Lamentavelmente o que eu vejo é que se o governo cair e a economia melhorar – porque ela melhora cada vez que o governo balança –, o que teremos é cada um voltando a cuidar do seu e se esquecendo do coletivo.

A cura só virá com cuidados diários.  E o nome disso é participação. Saber quem é o seu representante vereador, deputado, senador e acompanhar seus mandatos. Entender, cobrar e acompanhar as reformas. Sem isso será como trocar seis por meia-dúzia.

 
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