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Em São Paulo tudo pode ser

Há trinta anos Janio Quadros aprontava mais um dos seus factoides. Primeiro prefeito eleito na cidade de São Paulo depois da redemocratização, desinfetou com inseticida a cadeira que ocuparia pelos três anos seguintes. O motivo foi uma fotografia publicada semanas antes, em 14 de novembro de 1985, véspera da eleição, com o candidato adversário, Fernando Henrique Cardoso, sentado no lugar.

Até então Jânio, que era lembrado por ter renunciado à Presidência da República em 1961 sem jamais explicar por que, voltava à voga política eleito pelo voto popular na maior cidade do país.

E o que tem você com isso? Bom, neste 2016 que desponta teremos eleições municipais. E a história ensina que em São Paulo tudo pode acontecer. Quem diz que os paulistanos são conservadores se engana e muito. Os mais variados perfis apresentados ganharam as eleições por aqui. Segue um resumo de como cada um chegou.

Depois do mato-grossense Jânio, em 1988 São Paulo elegeu a pernambucana Luiza Erundina, que concorreu pelo PT. Foi a primeira mulher eleita na cidade e a segunda entre todas as capitais do Brasil (junto com Wilma de Faria em Natal-RN). Em 1992 voltou o Paulo Maluf, pelo PDS, que já havia sido prefeito nomeado pelo regime militar. Este em 1996 plantou um poste chamado Celso Pitta, carioca, economista e administrador com Harvard no curriculo e primeiro negro eleito para o cargo (em 1947 o governador Adhemar de Barros nomeou o prefeito Paulo Lauro, e atualmente o único negro prefeito de capital no Brasil é João Alves Filho, de Aracaju-SE). No ano 2000 foi a vez da Marta Suplicy, eleita pelo PT, sexóloga, apresentadora de TV, mãe de roqueiro, quatrocentona, loira de olhos azuis que ia à periferia com as mesmas roupas que frequentava os saraus da granfinagem. Tentou a reeleição em 2004 e foi derrotada pelo José Serra, do PSDB, ex-líder estudantil, exilado pela ditadura militar, CDF com boa passagem pelo ministério da Saúde mas sem carisma e com fama de mal-humorado, que renunciou para concorrer a governador deixando em seu lugar o vice Gilberto Kassab, do PFL, ilustre desconhecido reeleito em 2008 pelo DEM, numa disputa dura em que teve até sua sexualidade questionada. Em 2012 Kassab apoiou Serra, mas foram derrotados pelo atual prefeito Fernando Haddad, do PT,  professor universitário que faz o tipo galã da USP, ex-ministro da Educação e poste do ex-presidente Lula.

Quer dizer, a história prova que em São Paulo tudo pode ser, mesmo quando há favoritos (Não confundir o recall do Celso Russomano com favoritismo). Este ano não será diferente. Ou, por outra, tende a ser mais igual. Sem nenhum favorito, mais partidos devem arriscar candidaturas próprias e deixar para fazer composições no segundo-turno, embolando ainda mais o jogo e multiplicando as possibilidades de resultado final.

 
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