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Gente que vive chorando de barriga cheia – taxi X uber

Em junho do ano passado, quando começou o debate em torno do Uber, escrevi aqui que faltava dizer que “taxistas são isentos de IPI, ICMS e IPVA, o Uber não. Que a vantagem de usar a faixa de ônibus foi difícil de retomar e o Uber não tem. Que a oferta nos aeroportos é muito aquém da demanda e não só o Uber, mas os próprios taxistas sem ponto ou cooperativa estão loucos para ajudar. Quer dizer, estão levantando temas cuja discussão não lhes interessa.”

Dito e feito. Ao provocarem um debate em que começam reclamando de barriga cheia, perderam o apoio da população e de quebra arranjaram novas normas para cumprir, que vão da proibição de discutir política, futebol e religião, à obrigação sobre que tipo de roupa usar, que vão da cor da camisa até o smoking.

E apesar do balanço dos primeiros meses ter mostrado que a oferta do Uber não diminuiu a demanda por taxis, eles não param. Quer dizer, os bons taxistas da cidade continuam trabalhando bem e com vasta freguesia. Mas o grupo liderado pelos grandes proprietarios de alvarás e donos de frotas, cooperativas (!) e sindicatos, que exploram um sem número de trabalhadores,  insiste em procurar pelo em ovo, qual os baderneiros ontem à noite num bailão de pre-carnaval badalado.

E ainda ontem, pela manhã, num seminário sobre economia compartilhada na FGV e com a presença do prefeito Fernando Haddad, o diretor-presidente do Insper, Marcos Lisboa, propôs entre outras coisas o fim gradual dos taxis. No Rio, um editorial colocou os taxis ao lado dos telegrafos, dizendo que o fim do serviço seria uma evolução natural.

É aquela velha história cantada em verso no samba: “Na vida, a coisa mais feia / É gente que vive chorando de barriga cheia.” E as pessoas naturalmente preferem quem faz bonito.

 
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