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O Brasil na hora mais escura

Bem-vinda seja a Folha de São Paulo entre “os que preferem a renúncia à deposição constitucional” da presidenta da República. Antes tarde do que nunca.

O jornal está “divando” nas redes sociais, com apoios de parte a parte, com seu editorial “Nem Dilma nem Temer”.  O simples fato de uma parte sempre esquecida dos jornais ser lida e divulgada por tanta gente já seria motivo de alegria, símbolo de amadurecimento do debate político. Em termos tão razoáveis, ainda que atrasados, tanto melhor.

Em duas semanas a abertura do processo de impeachment será votada na Câmara dos Deputados. Tudo nos leva a crer que vai passar. Passando, Dilma será afastada por seis meses, podendo concentrar todo seu esforço em se defender no Senado. Enquanto isso, Michel Temer, cumpre o papel do vice eleito pela vontade da maioria, assumindo a Presidência da República interinamente. Cabe lembrar que foi também para esse tipo de possibilidade que ele foi escolhido para integrar a chapa petista – pela própria Dilma, pelo PT, pelo PMDB e demais partidos da coligação. Cabe lembrar (2) que nesse período o TSE pode cassar a chapa toda, provocando novas eleições.

O ideal, porém, faço questão de repetir e repetir, continua sendo a renúncia de ambos. O gesto de grandeza e reponsabilidade teria apoio de todos. Um “sacrifício” acordado que levaria a reboque o nefasto Eduardo Cunha e, quem sabe, de quebra, pelo menos a reforma da Previdência.

Improvável? Sim. Mas ante as alternativas, que são ver o PT entregar o governo ao PP e ao PSD com Lula na Casa Civil, ou o PMDB assumir num vale tudo, ambas com possibilidade de cair em seis meses, todas com possibilidade de judicialização imprevisível, enquanto os desempregados passam de dez milhões, empresas fecham as portas diariamente, programas sociais vão ficando sem fôlego e a intolerância dispara, é capaz que a luz seja feita.

O horizonte é de escuridão total. Mas dizem que a hora mais escura é a que antecede a alvorada. Oxalá a luz acenda nesses quinze dias. Está em tempo. Dilma, Temer, Cunha: renunciem.

 
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