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Seguir em frente

É claro que amor correspondido é a plenitude. Mas o Nelson Rodrigues estava certo quando disse que, para quem ama, basta amar. Ser correspondido é secundário.
Para quem faz política com amor a máxima também vale. Igual a toda doação, seja de tempo, dinheiro, suor, sangue, na luta política o primeiro benefício é de quem faz. Falo com a propriedade de quem acaba de sair de uma eleição que, nas urnas, terminou com o resultado muito aquém do esperado. Não fui eleito, mas a satisfação por ter feito tudo o que estava ao meu alcance para conhecer melhor e debater as questões da minha cidade é imensa.
Conheci de perto histórias como a de um grupo de mulheres na Zona Leste que, com dez anos a menos do que a minha mãe, aparentam ter dez anos a mais em função da vida sofrida que tiveram. Trabalhando longe e muito, apanhando dos maridos, criando os filhos sozinhas, sem acesso à saúde e com dificuldade até para encontrar uma padaria próxima de casa. Moram em casas muito pobres, de praticamente um só cômodo. E as encontrei menos preocupadas com as próprias dificuldades do que com o que vai ser da vida dos haitianos que imigraram em busca de uma vida melhor.
Tive a dimensão exata de como nossos problemas de zeladoria são comuns a todos os bairros: calçadas, iluminação, arborização, lazer, varrição e coleta de lixo, fiação aérea. E de que as soluções devem ser descentralizadas, transferindo poder às Prefeituras Regionais, sempre com a participação vigilante da sociedade.
No Campo Limpo, por exemplo, na região sudoeste, um dos problemas de uma ocupação feita sobre o Córrego Pirajuçara é a falta de uma caçamba para depositar o lixo. Distante do prefeito ela não chega, e a sociedade está fazendo uma vaquinha para construir em mutirão algo que um Prefeito Regional resolveria rapidamente.
Mas para funcionar, nossa vizinha Taboão da Serra, na outra margem do Pirajuçara, deve atuar no mesmo sentido. E isso vale para todas as cidades do entorno.
É aí que entram a Câmara Municipal e a Prefeitura. O olhar deve ser metropolitano. Debater o urbanismo considerando a macrorregião.
E tudo isso, descentralização, participação e o debate sobre o planejamento urbano só poderá acontecer com um esforço coletivo pela urbanidade. Isto é, tratar o próximo com respeito e civilidade.
A contenda do momento entre taxi e uber resume o que quero dizer. Falta clareza e respeito na discussão. Primeiro: uber é um aplicativo de compartilhamento de carona, não é taxi. Está parecendo taxi em função da crise econômica que levou milhares de desempregados a embarcarem na ideia. Alugaram carros, fizeram dívida, estão trabalhando loucamente e mesmo assim a conta não fecha, posto que o sistema que define o preço é baseado na lei da oferta e da procura. Isso a própria lei suprema do mercado vai equacionar.
O debate que o taxi precisa fazer é interno, começando pelo recadastramento de alvarás, acabando com as frotas que exploram os trabalhadores. Depois rever a questão dos grandes pontos de taxi. Não faz sentido o ponto de Congonhas ser exclusivo a 700 carros, que é a capacidade de mais ou menos quatro aviões de ponte-aérea. Para atender a coletividade, amenizando congestionamentos e diminuindo as filas, o taxi que deixa um passageiro no aeroporto deve poder trazer outro. Seja aqui ou em Guarulhos. E nossos prefeitos devem liderar esse entendimento.
Apesar do debate que a cidade precisa fazer ter ficado à margem da campanha eleitoral, ofuscado pelos temas nacionais, para mim é claro que essa é a voz rouca das ruas. Estamos travados por falta de urbanidade.
A eleição retumbante e inédita do João Doria no primeiro turno prova o que estou dizendo. O João trabalhador é também o João conciliador, o João inovador. Um homem determinado, com posições claras e firmes, mas sobretudo um democrata, que tem respeito pelo próximo, sabe ouvir e tem a grandeza de rever sua opinião quando confrontado com argumentos diversos. Isso foi absorvido espontaneamente pela população. João uma ótima gestão sendo exatamente o que sempre foi, tenho certeza.
Para encerrar, agradeço e me orgulho de cada voto e apoio que recebi. Como seria impossível nominar 6.044 pessoas, agradeço o meu partido, o PSDB, nas figuras do nosso presidente de honra, Fernando Henrique Cardoso, e do governador Geraldo Alckmin.
À minha família, cuja lista também seria muito extensa, agradeço simbolicamente aos meus pais biológicos Verinha e Leonardo, aos pais que escolhi Donana e Manoel, minhas irmãs, Piny e Cacá, e sobretudo à minha mulher, minha Neguinha, meu amor, que me suporta em todas as situações.
Aos amigos tantos, repito que sou devoto de Saint-Exupéry e sei que a gente se torna eternamente responsável pelo que cativa. Seguirei em frente, escrevendo, andando, conversando sobre a nossa cidade, no Conselho Participativo Municipal e nas ruas. As propostas pontuais que fiz, como CheCão, Ruas de Remanso, Telhados Verdes, Conselhos Deliberativos Regionais de Cultura, Bar Escola, Prefeito da Noite. Passe!o e outras, levarei aos amigos vereadores e aos nossos próximos prefeito e vice-prefeito, João Doria e Bruno Covas, para saber qual a melhor maneira de encaminha-las.
Vamos em frente. Contem comigo. Avante!
 
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