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Notas previdenciárias

Justiça e Previdência

O ministro da Justiça Osmar Serraglio esteva em greve branca desde o estouro da operação Carne Fraca, que entre outras coisas mostrou ao Brasil que, para ele, um fiscal sanitário era o “grande chefe”. Parece coisa de índio? Antes fosse. De qualquer maneira, índios e suas questões não fazem a cabeça nem a agenda do ministro.

Mas o que eu queria dizer é que ele reapareceu no posto depois da greve contra a reforma da Previdência. Repetiu aos jornais a versão oficial que minimizou a paralização. E na terça-feira dois de maio continuou sob os holofotes quando agentes carcerários invadiram o Ministério da Justiça para pedir privilégios na… reforma da Previdência. Por que não foram ao Congresso é a dúvida que resta. Talvez não queiram gastar a relação com os parlamentares, esta que promete ser longa.

Previdência e polícia

O parlamento no Brasil tem uma polícia para chamar de sua. Das poucas vezes que a Nação soube de sua existência, vieram à tona serviços de contraespionagem realizados nas residências de suas excelências.

Quem conhece a história do J. Edgard Hoover na CIA sabe que quem contraespiona não raramente também espiona, digamos, a favor.

Sucede que a polícia legislativa agora pleiteia os mesmos privilégios das polícias comuns e dos militares na reforma da Previdência. O argumento exposto é a coincidência do nome, isto é, polícia. Porém é de se supor que eles tenham outros argumentos ainda menos republicanos bem gravados para convencer os congressistas.

Polícia e Previdência

A reforma da Previdência já conta com puxadinhos diversos. Um dos primeiros abrigou militares e, com efeito, policiais. A desculpa é o perigo da profissão, algo incomum, segundo os próprios.

Sei não, mas acho que vale para todo mundo. Digo, para todo brasileiro. Afinal, com sessenta mil assassinatos por ano no país, quem está a salvo?

Previdência e peruca

A reforma da Previdência está para o Brasil – e para o mundo – igual à calvície. Pode pentear para cá, puxar pra lá, tomar remédio, injeção, fazer implante, usar peruca. O cabelo vai continuar caindo. Quer dizer: não tem solução boa. Esconder sob um chapéu também não adianta. Há quem afirme que até agrava.

Assumir os fatos é urgente: a turma vai viver cada vez mais e contribuir cada vez menos. Porque o ocaso do emprego – e das contribuições – caminha de mãos dadas com as novas tecnologias de saúde e produção.

Diagnóstico feito, fica a pergunta: o que fazer?

Previdência rural

Os trabalhadores rurais devem ser isentos das novas regras da Previdência. Mas a verdade, como bem anotou o economista Eduardo Gianetti, é que eles sequer deveriam ter entrado na conta.

Ora, a balança da Previdência pende e depende respeitando períodos de contribuição e de aposentadoria. Se os trabalhadores rurais, por motivos alheios à suas vontades, historicamente não contribuíram, como podem entrar na conta?

Merecem o auxílio? Sim, é claro. Cristalino. Mas para a matemática funcionar tem que acertar o Português: é assistência, não Previdência.

Pós-Previdência rural

No Primeiro de Maio as atenções foram voltadas para uma grande feira do agronegócio realizada em Ribeirão Preto. É um Brasil próspero, pujante, que vem segurando as pontas há alguns anos.

A grande estrela da feira foi um trator que trabalha sozinho. Faz tudo sem o peão em cima. Tudo computadorizado. GPS, sensores, uma beleza.

Não demora, o único motivo para as pessoas irem ao campo será o turismo. Comer fruta no pé, olhar passarinho, tomar banho de rio – nu, sempre que possível.

E ainda tem gente discutindo reforma agrária.

Está na hora de olhar adiante. Posse e trabalho da terra migraram para uma periferia distante do debate.

 
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