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O farol francês

Um amigo uma vez me disse que quando a turma da esquerda acha que você é de direita, e a turma da direita acha que você é de esquerda, provavelmente você está certo. Gosto de repeti-la porque me acalanta.

Mais recentemente venho relacionando a máxima ao Emmanuel Macron, que dentro de um mês se muda para o palácio do Eliseu. É curioso que ele tenha ido ao segundo turno com votos absorvidos do direitista François Fillon e vencido a ultradireita nacionalista da família Le Pen com os votos da esquerda.

Alguém pode dizer, com razão, que não tem nada de novo no voto útil. Mas caberá tudo dentro desta explicação? Quem vai dizer são as urnas do chamado terceiro turno da eleição francesa.

De leste a oeste há lideranças sinalizando migração efetiva, inclusive ideológica e não apenas eleitoral, para o movimento Republica em marcha, liderado por Macron, que vai se tornar um partido em breve, juntando entusiastas da sociedade a políticos tradicionais que enxergam a mudança possível através da convergência.

Isto é, tanto a sociedade exausta da velha política quanto a própria velha política devem ceder e olhar adiante. Há quem considere, com argumentos embasados, que a agenda Macron é a causa e a agenda Le Pen a consequência do esgarçamento social contemporâneo.

Em parte é verdade, mas eximir os velhos partidos do século XX de qualquer responsabilidade não é justo nem prudente. Todos precisam fazer a autocrítica. Macron incluído.

A França, farol da civilização ocidental, já influencia o mundo com o resultado.

A pergunta que fica para todos, especialmente para nós brasileiros, que temos pela frente um cenário político eleitoral muito difícil de prever, é onde estará o nosso ponto de convergência. Qual seria a agenda capaz de unir a Nação e afastar o populismo, o oportunismo, o atraso?

Vale lembrar do Millor quando disse que “o capitalismo é a exploração do homem pelo homem. O socialismo é o contrário.”

Há alguns anos, conversando com amigos, eu disse que num mundo ideal cada cidadão, pelo simples fato de existir e consumir, teria direito a um quinhão de ações, dividendos e opinião nos conselhos de empresas SA. O socialista presente me chamou de capitalista selvagem. E o capitalista disse que eu era um comunista bárbaro. Quem me salvou do linchamento fraterno foi um homem mais velho, banqueiro e primo do capitalista, quando atestou que este seria o capitalismo em estado de graça, e que de fato era muito parecido com o socialismo no mesmo estado.

Ora, se o fim é praticamente igual, que tal parar um pouco e pensar nos meios que podemos trilhar juntos? Ou marchar, como propõe o Macron? Lembrando que a proposta é que a República marche, e a república, já dizia o Montoro – não por acaso o FRANCO Montoro – significa coisa nossa, de todos nós.

 
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