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Quando chega o “uber” crédito?

Há um ranking internacional que pretende classificar os países pelo tamanho do mercado que concentra start-ups capazes de aliar inovação, tecnologia e finanças, as chamadas fintechs. Nele o Brasil aparece em oitavo lugar.

A definição de start-up varia. Nem toda empresa nova é uma start-up e nem toda start-up traz um modelo novo.

Uma padaria inaugurada na esquina da sua casa provavelmente chamar-se-ia ( é ou não é, Presidento?) Nova Pão Doce, mas a novidade acabaria aí, entre o nome e o endereço.

Por outra, se a padaria oferece um sistema on-line de venda de assinaturas de pão quentinho, dirão que é uma start-up. Mas pensando bem esse negócio de assinatura de pão é bem antigo. Andou meio em baixa, mas quem não se lembra das portas das casas com pão e leite entregues pela manhã?

Bom, deixa pra lá. Tanto faz se é start-up. E também tanto faz se é fintech. Até porque a gente aparece em oitavo lugar no tal ranking por conta do volume de uma financeira que faz usura on-line. É o mesmo serviço de agiotagem que tem nas lojas pela rua, só que pela internet. Quem quiser dizer que é novidade, fique à vontade.

Vale acrescentar que, por essa lógica, a balança deveria pender contra o índice de evolução tecnológica no setor financeiro no Brasil. Os maiores bancos brasileiros estão desestimulando o uso de serviços eletrônicos. Tudo para continuar faturando com taxas cobradas nos serviços prestados nas agências. E todos praticamente ao mesmo tempo. Há quem diga que o nome disse é cartel.

Esses e outros métodos dos bancos brasileiros, velho, antiquado, indecente (as taxas de juros por aqui são de ruborizar agiota boliviano) , favorece a inovação em outras frentes. Câmbio, por exemplo, bomba na rede oferecendo vantagens de até 15%. Principalmente porque bota em contato comprador e vendedor.

O Mercado Livre, que é argentino, está entrando nas finanças. Vão emprestar dinheiro a e-commerces que vendem no site. É um começo, vão ganhar atravessando. Beleza.

Mas meu palpite é que, não demora, assim como vendem objetos, as pessoas vão poder vender dinheiro. Quem tem mil dinheiros sobrando poderá colocar a venda e negociar o pagamento em parcelas com um ágio menor do que os bancos cobram – e maior do que os bancos pagam.

Assim como o Uber, festejado e defendido, festejado e defendido por dez entre dez atores do mercado financeiro, vem aí o “uber” crédito, isto é, um banco gigantesco que, assim como a plataforma de carona compartilhada que não tem nenhum automóvel, não terá sequer um porquinho para juntar moedas.

 
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