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Sai daí, sai logo, Presidento

Há por aí gente moderada defendendo o governo do Presidento. Quiçá por duplo excesso de expectativas. Primeiro com os efeitos das reformas trabalhista e da Previdência, que mesmo atropeladas, antagônicas e paliativas, sobretudo ante o novo cenário global do emprego e da longevidade, servem para acalmar “os mercados”. Não por acaso, é a mesma turma que crava a promoção do ministro Henrique Meirelles à Presidência da República em prováveis eleições indiretas, como prevê o Livrinho.

Depois pelo destaque que o aval presidencial à mesada da JBS para manter o silêncio dos presos Eduardo Cunha e Lúcio Funaro teve no furo do Lauro Jardim sobre a gravação do Jaburu. Por conveniência ou, na melhor das hipóteses, desatenção, minimizam o fato do empresário notoriamente corrupto ter visitado a intimidade do Presidento de noite, na surdina, e conversado com naturalidade sobre um procurador e dois juízes que mamavam nas tetas da Friboi, acertos no CADE, jeitinhos com Geddel e Henrique Alves “trabalhador”, e inclusive a “interlocução” temerária do Planalto com dois ministros do STF. Quem seriam? Gilmar? Alexandre? Façam suas apostas.

São Pedro também está contribuindo. Ainda que cada vez mais distante de qualquer coisa que possa ser classificada como moderação, o porteiro do Céu ajuda o governo. Em pleno maio, mês sem erre, na noite de quarta-feira choveu forte em Brasília. E São Paulo nesta sexta está debaixo d’água e não alcança vinte graus. Sabemos todos que brasileiro não topa chuva. Qualquer garoa esvazia a rua. Bravos são aqueles ucranianos que protestam com neve e menos quinze no termômetro.

A turma que ainda apoia o PT chegou a fazer evoluções na Paulista sob chuva e na Cinelândia. Já a turma dos trios elétricos, vulgarmente conhecida como “movimentos de rua”, se parece cada vez mais com os velhos partidos políticos. Ora ataca, ora apoia, dizem que sim mas que não muito pelo contrário, melhor aguardar. Esqueceram a célebre foto com Eduardo Cunha recebendo o pedido de impeachment.

Parênteses para o Meirelles. Como é que ele explica sua passagem pelo Conselho do grupo JBS? Ficou lá e não viu nada? Assim como a Dilma no conselho da Petrobrás? E antes disso, quando esteve no Banco Central. Foi informado da crescente grana viva sendo sacada nos caixas dos bancos, ora revelada. É automático. Quais providências tomou?

Parênteses para Aécio. Porra, caralho, heim? Que merda, peba. O advogado dizer que era dinheiro emprestado de um amigo para pagar a defesa? Depositar na conta do Perrela? E, pra não dizer que não falei das flores: João Doria, em lamentável entrevista à Jovem Pan, não foi perguntado sobre Rodrigo Rocha Loures, aliviou para Temer e atacou Aécio. Mas para o nosso prefeito, o problema está na forma, não no conteúdo.

Parênteses para Temer, que a aliados teria atribuído deslizes no colóquio palaciano ao sono. Como diria um erudito dado a trocadilhos, flácidos colóquios para acalantar bovinos. Ou conversa mole para boi dormir.

Parênteses para Joesley. Tendo a forma física elogiada pelo Presidento, agradeceu e deu a receita: “não é comer pouco, é comer bem, menos doce, menos industrializado”. Falou o maior produtor de nuggets do mundo.

Ainda o Joesley, incluindo o Wesley, o ministro Meirelles, o presidente do BC Ilan Goldfajn e a CVM: quais medidas serão tomadas sobre a compra de dólares na véspera da crise? O acordo da JBS com a Procuradoria foi generosíssimo, coisa de duzentos milhões de dinheiros em multa (Odebrecht/Braskem morreu com mais de seis bilhões), mas terá incluído permissão para usar informação privilegiada no mercado financeiro? Não pode ser. É crime novo, flagrante, e deve ser apurado.

Coisa boa – e agora a expectativa é minha – é a sagração da chamada operação coordenada da Polícia Federal, onde o delator combina a colheita das provas. Pode ser o caminho para evoluirmos para o que os americanos chamam de Lei do Tocador de Apito (Whistleblower), que por aqui poder-se-ia chamar Lei do Tocador de Berrante. Basicamente, quem vê coisa errada onde trabalha, e cala e consente por medo de perder o emprego, pode recolher provas e levar às autoridades. Ao cabo do processo, fica com uma comissão da multa aplicada.

Para encerrar, o que vem pela frente é o seguinte. Igual a Bolsa que despencou e o dólar que disparou pela baixa imunidade do país, como há muitos anos não acontecia, o Presidento, que já era fraco, está muito mais vulnerável. Se as medidas, mesmo as exitosas, custaram tão caro ao país por pressão dos parlamentares e setores da sociedade, agora ficou mais caro. Muito mais caro.

Sai logo, Michel. Você já está atrasado há anos, desde quando viu o descalabro da Presidenta, calou, insistiu, e só tomou posição quando foi conveniente. Sai daí! Faz as malas, Marcela.

 
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1 Comment  comments 

Uma resposta

  1. [...] Joesley devem entrar em cana – como escrevi aqui logo que o escândalo estourou – porque, já dizia o Tancredo, “a esperteza, quando é muita, come o dono”. Usaram [...]