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Acelerando sem rumo 2

Na minha certidão de nascimento tem duas coisas incomuns. A primeira é um rodapé que ninguém sabe explicar como foi parar lá, reconhecido e firmado em cartório. Está escrito: este nasceu para sofrer.

Não, não está. Esta é uma piada chupada de um amigo saudoso, o Fabinho. E também verso da canção predileta de outro amigo que já se foi, o Tio Gê, autointitulado delegado geral de qualquer lugar em que estivesse presente. Algo como um Ciccillo Matarazzo policial.

A outra ocorrência é um nome que só vim a conhecer melhor pelas redes sociais, depois de décadas portanto. Gabriel Mamere Neto está lá, por testemunha, junto com meu pai. Eram amigos grudados do turismo, da época em que havia Rubaiyat na Vieira de Carvalho e, principalmente, quando dois amigos da classe média, em começo de carreira, podiam comer um bom bife despretensiosamente.

Daí que ontem escrevi sobre outro amigo que viveu perto deles durante essa época. Meu amigo também, hoje nosso prefeito João Doria. Texto crítico, na base do “quem avisa amigo é”, tão martelado pelo meu pai quanto o “mentira tem perna curta” da minha mãe.

Gabriel ficou com a impressão que eu estava fazendo algum tipo de campanha velada, ou que a crítica sinalizava um desembarque do apoio e da torcida para que a nova gestão funcione. O que é compreensível, dada a nossa cultura de torcida de futebol.

Também bati um papo inbox com um tio querido, confuso com o texto. E até um amigo jornalista apurou se era rompimento. Respondi usando as palavras do João: “não tenho compromisso com o erro”. Mas talvez eles estejam certos. Melhor seria que eu continuasse criticando por e-mail ou whatsapp como sempre fiz e, diga-se, o João ouvia.

Ocorre que ele agora é o prefeito e eu mantenho esta página que, entre outras coisas, fala da cidade e de política. Nosso compromisso, o meu e o dele, é com o coletivo. Então que não faz sentido manter a conversa privada.

Vou continuar criticando e elogiando sempre que achar necessário. Corujão da Saúde, Empresa Expressa, parceria com o Secovi que trouxe o Jaime Lerner? Aplausos.

Aumento das velocidades nas marginais, manutenção da tarifa de ônibus e outras magnânimas bravatas? Vaia. Acelerar sem rumo confiando cegamente na iniciativa privada, como no caso dos laboratórios que a título de doação descartaram medicamentos à beira do vencimento, revelado pela CBN? Mais vaia.

Para a pergunta que não calava, ou como João conseguia, na Prefeitura, tantas doações dos empresários “sem nenhuma contrapartida”, surgiu uma resposta negativa. Além de três meses de desconto no ICMS dado pelo governo do estado, esses laboratórios economizaram alto no descarte iminente dos remédios. Urge uma revisão do acordo, com penalidade, sob pena de descredibilizar iniciativas verdadeiramente altruístas, dignas de aplausos, que podem acabar arrastadas injustamente para a vala comum das vaias.

 
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