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De Borja a Andrade ou obrigado, João Batista

Nos estertores do governo Collor uma figura se destacou e merece lembrança: Célio Borja.

Ele aceitou o convite para ser ministro da Justiça com uma missão muito clara: fazer a reforma política. Mais exatamente, a transição para o Parlamentarismo.

Na Constituição de 88 a gente combinou que dali a cinco anos haveria o plebiscito. E o então presidente do STF, aos 66 anos, portanto com mais quatro garantidos na corte, pendurou a toga para a missão que talvez considerasse a mais importante de sua vida.

Bem sabe esta freguesia que #deuruim. Pedro Collor, irmão do presidente da República, foi à Istoé e mostrou as infiltrações que comprometiam as reformas dor jardins e tanques de carpas da Casa da Dinda. E o Congresso, que não tinha boa relação com Fernando Affonso, tratou de derruba-lo.

A situação política era bem menos grave do que é hoje. Mas ainda assim, pela estabilidade institucional, Celio Borja decidiu ficar no ministério e garantir os limites republicanos fossem observados durante o processo de impeachment. Não foi atrapalhado e só deixou a Esplanada quando Collor renunciou e desceu a rampa. O outro nome disto é hombridade.

Atualmente ainda há quem acredite que as reformas em curso no Brasil são a da Previdência e a Trabalhista. Virou desculpa para tudo. Talvez seja exaustão. Ou mesmo um ato de fé – o que torna impossível qualquer debate.

Ontem a Andreia Sadi revelou quais são as reformas que tomam a agenda nacional: além de sítio, tríplex, espigão no Pelourinho, tela de proteção para o Michelzinho no Alvorada (com direito a babá comissionada),  casa da filha, agora há a casa da sogra.

Olhando para o ministério da Justiça podemos ter uma dimensão da vastidão que a casa da sogra tomou. Alexandre Moraes, que estreou na pasta com o Presidento, só foi deglutido porque o adversário mais citado chegava a ser contra união estável homoafetiva. Mas logo foi transferido para o STF, deixando no ar o receio de atuação contrária à Lava Jato.

Então veio o Osmar Serraglio, que apareceu muito mais nos áudios da Carne Fraca do que trabalhando, mas não por isso foi substituído pelo Torquato Jardim, que transformou o que era receio em paura. É que na cabeça do Presidento os dois trocariam de cadeira, deixando a Polícia federal com pro Jardim e a Transparência com o Serragljo. De novo, não para fazer transparecer qualquer coisa, mas para garantir uma cadeira na Câmara ao suplente Rocha Loures, também assessor especial do Presidento, que pelo inusitado cooper de cinquenta metros e meio milhão de reais, agora precisava correr do carcereiro e seu barbeiro. Não deu certo e o príncipe das barrinhas de cereal hoje namora as barras da Papuda.

Onde estaria um Celio Borja a essa altura do campeonato? Vos digo: na Cultura.

O cineasta João Batista de Andrade era presidente do Memorial da América Latina em São Paulo. Vinha fazendo um trabalho impecável, com êxito de público e de crítica.

Quando o ministro da Cultura Marcelo Calero denunciou o Geddel Vieira Lima e saiu, Roberto Freire topou o desafio e teve o apoio abnegado do João Batista, que renunciou o Memorial para comprar uma briga gigantesca. Então veio o grampo do Joesley na garagem do Jaburu e Freire renunciou. Mas João ficou como interino, com prejuízo pessoal. Quer dizer, segurou o rojão. Com tanto retrocesso, era algo que acalantava. Sem Cultura uma Nação não é viável. E fez o que tinha pra fazer: nomeou, com apoio do setor, a produtora Debora Ivanon para a presidência da Ancine, contrariando a vontade do Presidento, que nunca confirmou, traindo o combinado. Também indicou para a diretoria colegiada da agência o Jorge Peregrino, executivo da área de distribuição de filmes. Mas soube pelo Diário Oficial que o Presidento escolhera outra pessoa. Como tudo tem limite, hoje pediu o boné. Fez bem.

Que sirva de exemplo para outras pessoas boas que ainda sustentam este governo insustentável. Obrigado, João.

 
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