Blog do Léo Coutinho - Eu te disse, eu te disse
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Eu te disse, eu te disse

É no mínimo desagradável aquele personagem de desenho animado que fica repetindo “eu te disse, eu te disse”. Meu avô Coutinho, que era médico, não gostava da palavra chato, por se tratar de “termo vulgar para um para um piolho que dá nas vergonhas”. Porém tem dia que ser chato é irresistível. Que vovô Chico me perdoe, mas hoje eu serei a motoquinha chata e desagradável. Ao quadrado. Sim, freguesia, eu te disse, eu te disse.

Venho dizendo e escrevendo há tempos que no governo do Presidento o molho ficaria mais caro do que o frango. Dias antes da Presidenta ser afastada disse ao professor Delfim Netto e publiquei a história aqui. O grande frasista respondeu que eu partia do princípio que daria errado. Contudo, era só questão de lógica.

Elementar, freguesia caríssima: um sujeito fraco, historicamente sem votos, cujo passado o condena, que pedalou tanto quanto a antecessora e colega de chapa (que por sua vez era processada no TSE e acabou absolvida por excesso de provas), para governar precisaria do apoio de um Congresso que não pensa em outra coisa se não se livrar do atoleiro criminal, teria que pagar caro para atravessar a pinguela que construiu com ardil e ainda creditou a obra à empresa Celestial.

Não contente, uma vez Presidento, Temer continuou sendo Temer, se esqueceu que pode menos quem pode mais, e arranjou para o presente rolos maiores do que os do passado. Com efeito, é o primeiro presidente da República da história denunciado durante o mandato. E note que a concorrência não é fraca não.

Ainda assim, igual ao Delfim, amigos ilustrados sucumbiram ao wishful trhinking e teimaram na defesa do denunciado. Pelas reformas, pelo Brasil, contra o Lula, trololó, nhenhenhém. Todos perdoados. Não se pode condenar alguém que, morrendo de sede em pleno deserto, vê uma poça de lama e enxerga um oásis. Mas agora chega. Basta.

Modéstia às favas, esta freguesia, muito bem servida de análises grátis, tem motivos para processar com reservas o que lê por aqui. Afinal, esta página tem pouco mais de uma década, e em que pese o trabalho duro e diligente, pouco significa ante a credibilidade de um jornalão centenário ou uma folha prestes aos três dígitos de idade. Também conta – ou desconta – o fato de ser grátis. E a gente não valoriza o que é de graça. Mas que não seja por isso. Neste link você pode contribuir pagando pelo que lê aqui. Avaliação livre.

Então vamos lá. Farinha pouca, meu pirão primeiro. Aqui, aqui e aqui você leu que o molho do Presidento custaria mais caro do que o frango. Agora está provado em números. A agência Reuters analisou os dados do Siafi e a professora Laura Carvalho repercutiu na Folha de São Paulo: “o total de recursos liberados em 2017 para emendas parlamentares e restos a pagar passou de R$ 959 milhões para R$ 1,5 bilhão só no mês passado”. Isso falando em grana. O custo imaterial do retrocesso político-social com a agenda da bancada da BBB (Bíblia, Boi e Bala) é incalculável.

E ainda o papel do Rodrigo Maia, vulgo BB (Bolinha ou Botafogo), que ocupa o primeiro lugar na fila de reservas do Presidento, começa a ser entendido pela grande imprensa. Os craques Mônica Bergamo, da Folha, e José Roberto Toledo, do Estadão, trataram dele hoje. Aqui e aqui. Mas você leu antes aquiaqui, aqui.

Temer é tóxico, contagioso. Quem teima em apoia-lo, apesar das evidências, seja por convicção ou conveniência, adoece junto. O caso do prefeito de São Paulo é emblemático. Aos seis meses de uma gestão que vinha crescendo em popularidade, chegando a ser considerado imbatível para o Planalto em 2018, perdeu fôlego. Em um mês, sua rejeição disparou de 39% para 52%.

Também porque cria muita expectativa e entrega pouca realidade, lança quimeras mil diariamente no Facebook e se esquece que a maior cidade do país é real, não virtual. Botou de lado a participação e a descentralização pactuadas na campanha, que fortaleceriam a vontade popular e a autonomia das prefeituras regionais, e pouco se dedicou aos urgentes temas metropolitanos, indo mais ao exterior e a outros estados do que a Guarulhos e ao ABCD. Trabalhou para fazer vice-presidente da Câmara Municipal um estelionatário confesso, com prejuízo à história da cidade o presenteou dando o nome da porta de entrada a um parente que foi agente da ditadura militar, a mesma que cassou seu pai e o avô do vice-prefeito, e como retribuição o viu votar contra seu pacote de desestatização. Reverteu depois, mas a que preço? Mais dia, menos dia, pela Reuters, pela Globo, Folha ou Estadão, saberemos. Mas esta freguesia estará avisada.

 
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