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Por quê São Paulo não tem dinheiro?

Que a prefeitura de São Paulo não tem dinheiro para funcionar como precisaria todo mundo já sabe. Por sinal, sequer é novidade desta gestão. Há exageros de parte a parte, igual a tudo na vida, mas já compartilhamos aqui um levantamento da agência Lupa para evitar que pelo menos esta freguesia caríssima continue batendo chapa na cracolândia das redes sociais.

Sobre o orçamento atual, que de alguma maneira vai precisar caber nas contas quando a outra metade do ano correr, vale mais um comentário. Na entrevista de 24 horas que o prefeito João Doria no dia seguinte ao da sua eleição, tomado pelo frisson natural de quem vencia num primeiro turno inédito, ele deixou-se atropelar por um sentimento, digamos, magnânimo. Prometeu o que prudentemente evitara durante toda a campanha: não mexer na tarifa de ônibus.

Veio a transição e, para espanto generalizado, ele insistiu. Poderia ter revisto a fala com a mesma grandeza de quem afirma não ter compromisso com o erro. Só que não. Teimou, causou constrangimentos políticos desnecessários e cavou um buraco administrativo que não para de crescer. Igual ou pior que o seu salário, freguesa, o dinheiro reservado para subsidiar o transporte em 2017 foi embora na metade do prazo. 148 milhões de reais previstos para obras já foram desviados para cobrir o rombo. E não demora vão ter que tirar mais de outro bolso: Saúde, Educação, Cultura…

Economista dos mais respeitados, o inglês John Maynard Keynes cunhou a máxima: “Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. E você, o que faz?”. Seu xará Doria, repito, já usou o princípio várias vezes. Mais uma não vai lhe matar. Muito pelo contrário.

Mas o que eu queria dizer é como e porque chegamos à essa pindaíba. Simples: sucessivos erros históricos. Um quinhão gordo do dinheiro da cidade vai para previdência de funcionários públicos, farta de privilégios; precatórios; subsídio de ônibus.

Diante disso, o que fazer respeitando a lei? Evitar repetir erros futuros. E o que faz o prefeito? Desrespeita a lei justamente para cometer erros que vão custar caro.

A novidade é o abandono do Arco do Tietê, que desrespeita o Plano Diretor (a lei urbanística em vigor, pactuada com a sociedade) e mete o Arco do Jurubatuba.

Por que um é melhor do que o outro? O Arco do Tietê manda a cidade se desenvolver no sentido da várzea do rio homônimo, subutilizada, com infraestrutura razoável de transportes, e onde já vive a maioria da população paulistana: Zona Leste.

Já o Arco do Jurubatuba nos leva ao sul, onde um deserto imobiliário se encontra já no Morumbi, bota em risco áreas de manancial, demanda mais investimento em infraestrutura, principalmente de transportes e incluindo o absurdo de abrir novas pistas de marginal.

Vai custar caro, muito caro.

 
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