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Pula que a água está quente

Um governo de centro-direita teve uma ideia para enfrentar o problema do desemprego e dos altos custos da burocracia estatal, notadamente a fiscalização dos programas de bem-estar social. Como era a proposta era polêmica, optaram por começar testando com um pequeno extrato da população.

Ato contínuo, a economista-chefe da central única dos sindicatos de trabalhadores, que com um milhão de filiados, o equivalente a metade da população do país –  se posicionou contrariada. Afirmou que a proposta ia na contramão das políticas sociais e que, sendo absurdamente caro, o programa elevaria o déficit do Estado em relação ao PIB.

A ideia do governo – centro-direitista, você se lembra, freguesa – foi transferir para as contas de duas mil pessoas, incondicionalmente, 560 euros, mais ou menos R$ 2.100,00. Incondicionalmente significa que para ter o benefício o cidadão não precisa ser pobre, estar procurando emprego, ou oferecer qualquer contrapartida, como acontece com os programas de transferência de renda antigos em vigor, como o Bolsa Família.

Começou em janeiro e os efeitos são os seguintes: menos estressados com a grana curta, os contemplados passaram a tomar decisões melhores, se dedicaram ao que sabem fazer – e fizeram bem.

Juha Jarvinem, artista, empreendedor e pai jovem que participa do laboratório, falou à Economist: “É muito louco. Com os programas antigos eu evitava trabalhar por medo de perder o benefício. Era a ‘armadilha do desemprego. Agora, não. Tenho ideias melhores, planos de negócios e voltei a progredir. Além do que, não preciso mais parar o que estou fazendo para ficar prestando contas ao governo.”

Curiosamente, quem não gostou da notícia e reclamou à Bloomberg foi a economista-chefe da CUT da Finlândia – palco do experimento –, Ilkka Kaurokanta.

O Brasil é mesmo abençoado. Aqui da CUT à FIESP, todos concordam com a Renda Básica Universal. Está no livro do Suplicy.

Universal, diga-se, tem a ver com o sentido incondicional da ideia. Todos recebem, sem distinção. Este é o ponto essencial da ideia, defendido por outro governo, o da primeira-ministra Kathleen Wynne, de Ontario, no Canadá. Encontrei aspas dela e um link na reportagem publicada pelo Independent: “Distribuição de renda incondicional economiza dinheiro público diminuindo a burocracia tradicional dos programas de bem-estar social.”

Ela tem o olhar no futuro e acredita que as economias devem se fortalecer para enfrentar os novos desafios do mercado de trabalho, cada vez mais dinâmico.

Voltando ao Velho Mundo, na Inglaterra o Think Tank da Real Sociedade para incentivo de Artes, Artesanato e Comércio propõe oferecer trezentas libras esterlinas (R$ 1.200) a todo cidadão que tenha entre 25 e 65 anos de idade como estímulo para criação e produção.

Uma piada antiga recomendava que, vendo um milionário pulando da ponte, melhor seria pular junto, porque provavelmente ele estaria se dando bem. Hoje bilionários como Mark Zuckerberg, do Facebook, e Peter Diamandis, mecenas do fim da morte morrida, falam publicamente na adoção da Renda Básica Universal. Avante! Pula que a água está quente.

 
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