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Vendo vista para o futuro

“A população tem direito também ao nível de conforto adequado, a ter elevadores e habitações maiores. Com isso você tem estruturas melhores, também com lazer, área de esporte e também, área de trabalho, com pequenas lojas, exatamente como é o Casa Paulista.” Palavras do João Doria.

Por falar em Casa Paulista, lembro do Paulo Mendes da Rocha falando sobre a avenida homônima (aqui aos três minutos). Para ele, com a democratização do elevador – e transporte público, esgoto, energia, verticalização -, o conceito de moradia mudou, porque podemos empilhar as casas.

Então não faz sentido continuar pensando o lote sob o conceito da casa térrea, ou dos sobrados, com recuo, jardins e quintais que ninguém usa. Você pensa o coletivo e cria espaços de convivência agradáveis, com moradia, trabalho, lazer, comércio e serviço reunidos, como é o Conjunto Nacional.

Nos demais lotes ao longo da via, que foram pensados sobre os terrenos dos antigos casarões, há um desperdício absurdo de espaço, inclusive em prédios contemporâneos, com gradis que separam os jardins das pessoas.

E por que o Conjunto Nacional teve essa sorte? Porque foi empreendido sobre uma quadra inteira, enquanto seus vizinhos ficaram condenados aos retalhos. A discrepância urbanística causada pela arquitetura possível a cada projeto é brutal.

De qualquer maneira é precioso ver que sem esforço encontramos convergência de conceito entre o Prefeito e o arquiteto. Gostaria de festejar desde já, mas ando meio São Tomé e quero ver concreto.

Especialmente no imenso lote que a prefeitura e o governo do estado têm em conjunto na Marginal Pinheiros. Cem mil metros quadrados que devem ser pensados em também em conjunto, não em retalhos.

Vizinho do metrô, com estação de trem e terminal de ônibus ao lado, parque Villa-Lobos alcançável à pé, vista para o rio, para o arvoredo do Alto de Pinheiros e do Butantã, para a colina da Vila Madalena. Lá do alto é lindo. Já almocei um franguinho atropelado na cobertura da Editora Abril e contemplei a vista.

Com 300 mil habitantes e 700 mil trabalhadores que vêm diariamente de longe ou muito longe, Pinheiros merece um projeto de habitação popular nos moldes apresentados pelo prefeito no primeiro parágrafo.

Estou sonhando? Não. O mais caro, que é o terreno, é nosso (público). Infraestrutura há em profusão, só falta gente para usar. E o dinheiro? Tem também. A Operação Urbana da Faria Lima tem R$ 500 milhões em créditos dos quais ¼ ou R$ 125 milhões são carimbados para HIS (Habitação de Interesse da Sociedade – obrigado, professor Caldana) que devem ser investidos em seu perímetro.

Ali na Berrini com a Roberto Marinho, tem uns dez dias, o prefeito entregou a segunda fase do Jardim Edite. Menos de dez milhões de reais, sendo parte da Operação Urbana Água Espraiada, foram suficientes para entregar teto a quase setenta famílias.

Vamos pensar a solução de moradia para Pinheiros coletivamente. Tomar o elevador e trabalhar do alto, com vista para o futuro da cidade.

 
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