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Quem tem boca vaia a Rota

Dizem que a gente não deve vaiar estreias ruins, porque mais ajuda do que atrapalha. Igual a água que, vertendo da mangueira, quando encontra um dedo polegar esguicha e vai mais longe.

Porém tenho que abrir uma exceção para o policial Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, que no quatro de agosto estreou no comando das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar. Sim, é o novo comandante da Rota.

O augusto Ricardo, em entrevista ao UOL, declarou o seguinte sobre a periferia: “É uma outra realidade. São pessoas diferentes que transitam por lá. A forma dele abordar tem que ser diferente. Se ele (policial) for abordar uma pessoa (na periferia), da mesma forma que ele for abordar uma pessoa aqui nos Jardins (área nobre de São Paulo), ele vai ter dificuldade. Ele não vai ser respeitado”

Talvez eu seja ingênuo, mas acho é caso de afastamento imediato. Não vejo alguém que pense assim em condições de comandar uma tropa de elite com trânsito livre no estado.

Qualquer comando funciona mais ou menos como aquela brincadeira do telefone sem fio. A mensagem original sempre acaba desvirtuada. O fenômeno é humano, serve para qualquer categoria. Na polícia, se da tranquilidade do gabinete o comandante orienta “sejam cordatos”, na tensão das ruas o policial pode acabar berrando.

Agora imagine você, freguesa, como deve chegar nas ruas a orientação do comandante Araújo. Governador, Secretário de Segurança, se preparem. Dias interessantes pela frente.

Nascido e criado no morro (do Jardim Paulista), tenho o costume de cumprimentar as pessoas pela rua. Boa tarde, boa noite, opa, oba e, com menor frequência, bom dia. A maioria corresponde. Mas os policiais, curiosamente, se surpreendem.

Quando vou à periferia noto que, de modo geral, igual acontece nas cidades pequenas, o hábito de cumprimentar os vizinhos é mais comum. Há um espírito comunitário no ar, que favelas é ainda mais presente. Deve ser por isso que chamam de comunidade. A não ser por parte dos policiais. Na periferia os cumprimento do mesmo jeito e nunca tenho a recíproca. Pelo menos agora sei o motivo. E a culpa é minha. O policial não tem como saber de onde eu venho. Vou fazer um crachá escrito “made in jardins” para ajudar.

Sobre o comportamento da PM “nos Jardins”, tenho algumas sugestões: parem de estacionar sobre calçadas (Av. Paulista, todo dia) e faixas de pedestres (ontem à noite na esquina da Batatais com a Eugenio de Lima), em local proibido (diariamente na Bela Cintra com a Lorena), e desliguem as viaturas quando não estiverem em trânsito. Tais medidas devem melhorar a imagem da força. Vocês vão precisar.

Obrigado. Com licença, boa tarde, lembranças à família, passar bem.

 
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