Facebook YouTube Contato

Notas soltas

A renca do Presidento

O Presidento não mostrou o extrato, mas garantiu que está com a aljava repleta de flechas para resistir à nova denúncia do procurador geral, Rodrigo Janot.

Se mostrasse, a Nação saberia do que são feitas as flechas do cacique Temer: madeira de lei colhida em reservas de proteção, bem melhores e mais resistentes do que as de bambu usadas pelo PGR. E ainda uma vantagem adicional: o Presidento não precisa gastar o braço sustentando o arco. Basta assinar umas emendas e decretos que os arqueiros BBB (bíblia, boi e bala) se viram. Custa caro, é verdade, mas não é ele quem paga. É você. E o mercado de futuros continua pensando só nos presentes.

Renca

Na minha infância, renca era como chamávamos um bando de moleques impertinentes. Exemplo: a mãe de um prometia um bolo para o meio da tarde, ao que o filho orientava: “quando ficar pronto não grita pela janela, se não cola aquela renca e já era”.

Graças ao Presidento fiquei sabendo que Renca também é um acrônimo para reserva de cobre na Amazônia. Não gostei. Digo, preferia não ficar sabendo, notadamente através de um decreto que extingue a Renca.

Longe de mim propor uma ode à ignorância. A gente cuida melhor daquilo que conhece. Longe também quero estar de propor que o cobre continue lá enquanto pode ser extraído com cuidado. Seria como ter um galinheiro e não colher os ovos.

Mas então voltamos à renca da minha infância. Todo moleque pode prever o trágico destino do bolo amazônico com este Presidento gritando pela janela ou, pior ainda, cochichando no subsolo do Jaburu.

Séries cabeça

O Canal Meio avisa que a Netflix, na Califórnia, cultivou dez tipos de maconha para serem harmonizados com dez das suas produções originais. Comédias, por exemplo, devem ser combinadas com a Cannabis indica. Já a Cannabis sativa queimaria melhor acompanhando dramas.

Para House of Cards, creio que seja um charuto, que o distinto fuma sem tragar. E na bula, uma recomendação: pode causar dor de cabeça se usado em brincadeiras com estagiárias no Salão Oval ou estocados antes de assinaturas de embargo.

Feijoada, bife e batata frita

Essa coisa de harmonização não é frescura. O Elio Gaspari nos brindou, no domingo, com um causo de em almoço na casa de Antonio Carlos Magalhães.

O primeiro prato era feijoada, seguido por filé com fritas. Só podia acabar mal. Contrapondo o genro Cesar da Mata Pires, que se gabava do crescimento da OAS, Toninho Malvadeza objetou: “Deixe de besteira, as obras que você tem deve a mim.”

Depois do café o genro chamou o sogro para uma salinha e meteu o seguinte: “Governador, da próxima vez que o senhor fizer o que fez durante o almoço, eu quebro a sua cara.”  Quem contava a história era Toninho Ternura, e emendava: “Gostei do garoto.”

Outro genro de Toninho, aqui de novo Malvadeza, foi encontrado morto com um tiro na nuca e a arma no coldre. A polícia da Bahia preparou o atestado de óbito cravando “suicidou-se”. Alguns dizem que mais correto seria “foi suicidado”. Devem ser os mesmos que apelidaram a OAS de Obras Arranjadas pelo Sogro.

Deve ser por isso que no House of Cards brasileiro, Felizes para sempre?, o personagem central é um empreiteiro, não o político.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments