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Pudim vai inteiro ou fatiado?

Duma esquina qualquer no Leblon, amigo carioca envia WhatsApp ao grupo. O comentário não era dele, mas achou graça e compartilhou.

Na TV da casa de sucos o ministro Moreira Franco dizia sobre a Rocinha  “precisamos diminuir a arrogância e a prepotência do crime organizado”. Da calçada, um rapaz que esmolava ainda sob os vapores da noite passada (obrigado, Rubem) replicou: – “Deixa estar, Angorá, sua hora vai chegar.”

Pelo grupo conversávamos sobre a segunda denúncia da PGR contra a quadrilha instalada no Palácio do Planalto. A Câmara fatia ou não fatia?

Desta vez, além do Presidento, os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha estão incluídos no que a PGR chamou de organização criminosa. Para aceitar ou rejeitar a peça, a Câmara pode decidir fatiar e votar em separado.

Gerson Camarotti, analista de política da Globo News, acha que em bloco o governo tem mais chance de se safar, com menos trabalho (e despesa).

Meu palpite é inverso. Em bloco será mais difícil defender o governo da acusação de quadrilha. Note que a chamada Turma do Pudim, facção instalada no Palácio do Planalto, conta com alguns integrantes já presos: Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves. Os três chefões denunciados que estão em liberdade são Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Na votação da primeira denúncia vimos diversos deputados constrangidos votando pela recusa. Na tentativa de justificar seus votos, diziam que o governo tinha que continuar, que substituir presidente da República é algo grave. Quer dizer, o mesmo argumento não servirá desta vez, posto que teria que encaixar dois ministros facilmente substituíveis. Ficar ao lado deles é estar aliado a Cunha, Geddel e Henrique Alves. É engrossar a calda para o valhacouto do pudim.

Alguém poderá dizer, com razão, que é fácil interver a primeira parte da narrativa. Digo, os dispostos a salvar o governo podem alegar que num pacote de volume incerto, tipo aquele citado pelo primeiro-amigo José Yunes quando serviu de entreposto entre Lucio Funaro e Eliseu Padilha, cabem dois ministros. A ver. Lembrando que calda de caramelo mela, é difícil de limpar e a aprovação do governo está em 3,4% (CNT/MDA-19/09/17).

Mais distante mas não menos importante é o papel do Rodrigo Maia, vulgo Botafogo ou Bolinha, sabidamente insatisfeito com os avanços do PMDB do Presidento sobre a bancada do seu DEM, genro do Moreira Franco e primeiro na linha sucessória da Presidência da República.

Ele diz que o pudim será servido inteiro. Vejamos. Se fatiar, na prática estará condenando o sogro a uma investigação no Supremo. Se mantiver a denúncia em bloco, pode abrir caminho para a condenação do Presidento – e também do sogro, o que é um álibi e tanto para vestir a faixa sem ser acusado de conspirador.

Aguardemos.

 
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