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Ivan Lessa acelerando

“A cada quinze anos, o Brasil esquece os últimos quinze anos”, dizia o Ivan Lessa. Em tempos acelerados, o prazo diminuiu.

Um aluno célebre do Ivan Lessa serve como exemplo. Diogo Mainardi, a propósito do twitter ter dobrado a quantidade de toques por palpite, disse que nos antigos 140 havia menos chance de escrever bobagem. É o estilo homeopático do seu Antagonista. Mas será que funciona? Digo, afasta as bobagens? O lacerdismo que o site adotou na repercussão da fala do general insubordinado mostra que não – além de revelar falta de memória.

Vá lá, são mais de cinquenta anos… Mas o Mainardi mora em Veneza, na Itália, que teve Berlusconi recentemente. Daí que o apoio a um candidato novo, só porque é novo e dito não político, deveria passar pela peneira da lembrança.

Eu não queria falar do Mainardi. Até acho que o exemplo é forçado. Mas sinto uma invejinha da relação que ele teve com o Ivan Lessa.

Vamos ao Ivan, que é o que interessa.

Há pouco mais de um ano o Brasil tirou a Presidenta. Motivo alegado: pedaladas. Motivo real: exaustão e enganação. A gerentona não política congelou tarifas, jogou para a torcida e, reeleita, fez o inverso do que pactuou em campanha, muitas vezes usando a desculpa da “herança maldita” de FHC, mesmo depois de doze anos de governo Lula-Dilma. A turma, desiludida, cassou seu assento.

O gerentão não político da vez é João Doria. Ou, como ele prefere, gestor. O que tem feito na Prefeitura de São Paulo? Diz que encontrou um rombo no caixa, já desmentido pelo Tribunal de Contas. Congelou a tarifa de ônibus (já estourada e pedalada para 2018) e o IPTU. Prometeu participação, descentralização, enxugamento da máquina, e faz justamente o inverso, esvaziando ou extinguindo conselhos e distribuindo 160 cargos a pedido dos vereadores em véspera de votação.

Se Dilma foi traída e delatada pelo marqueteiro quando a Justiça chegou, ninguém há de dizer que João Santana foi incompetente em seu ofício. Doria não tem a mesma sorte com a assessoria.

Comprou uma pré-campanha nacional com seguidas viagens pelo Brasil. Resultado? Estancou nas pesquisas de intenção de voto e sua avaliação em São Paulo sofreu o efeito suflê: murchou na mesma velocidade que subiu. Motivo: os brasileiros veem mais um político em campanha e os paulistanos se sentem órfãos do prefeito que elegeram.

O projeto “Centro Novo”, anunciado para ser entregue em doze anos, teve o prazo cortado para oito anos durante a entrevista coletiva. Quem se lembra da célebre citação: “Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta.”

Como é possível? Nos responde professora da FAU-USP Raquel Rolnik. No dia seguinte ao anúncio, representantes da Prefeitura estiveram no Ministério Público Estadual e afirmaram que “o projeto apresentado era apenas uma ideia, que sequer foi analisado ou passou por qualquer desenvolvimento e que, portanto, não era algo que seria realmente executado”.

Nada mais parecido com o PAC, inclusive no “acelera”. Para quem estava com saudades da Dilma, deve ser um bálsamo.

Mais distante e não menos relevante, vale lembrar que nos primeiros meses de mandato Dilma não chegou ao cúmulo de se fantasiar de gari e sair varrendo a Esplanada dos Ministérios, mas se vendeu como “a faxineira da República”.

 
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