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Não ouvi panelas

Em setembro de 2007 Renan Calheiros era julgado em sessão secreta pelo Senado Federal. Acusado de ter contas pessoais pagas por um lobista, o então presidente do Congresso Nacional teria ido ao Salão Azul munido de dossiês contra todos os colegas. E meteu o dedo na cara de cada um de dos seus principais opositores. Foi absolvido. Placar: 40 X 35 com seis abstenções.

Dez anos depois os dossiês não valem nada. Com o que está publicado nos jornais, processos judiciais e, por que não dizer, no site da Câmara dos Deputados, os segredos que parlamentares dessa qualidade guardam sobre seus pares políticos valem pouca coisa.

Posso estar exagerando, eu sei. Sempre que um Eduardo Cunha evoluiu para uma delação premiada tudo pode acontecer. Mas o que há de ser pior do que um apartamento mobiliado com cédulas de dinheiro? É provável que mais uma vez eu esteja enganado. Mas gostaria que de estar certo.

De qualquer maneira, há lama para suficiente para a maioria do alto clero político. Nada além do que já foi publicado pode fazer qualquer um deles parecer mais sujo. E o efeito disto pode ser lido no resultado da sessão de hoje, que livrou a cara do senador Aécio Neves, em sessão aberta. Com o perdão da expressão, completamente elameados, estão todos cagando para a opinião pública. O que a semelhança com o placar da sessão fechada que livrou Renan Calheiros constata: 44 X 26.

O Supremo já lavou as mãos. Restariam as panelas. Mas estas a classe média vendeu para comprar feijão.

Para encerrar, só posso amargar a posição do PSDB, que definitivamente acabou. Em novembro de 2015 este mesmo partido – se é que ainda merece esta classificação – votou sim pela prisão do ex-senador Delcídio do Amaral (59 X 13 e uma abstenção), flagrado numa gravação que contava com todos os achaques do famigerado telefonema entre Aécio e Joesley.

 

 

 
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