Facebook YouTube Contato

Reforma e Renova Brasil (emoji risadinha)

Valendo! As novidades trabalhistas entraram em vigor neste sábado 11 de novembro. É simbólico. No final de semana, poucos patrões e muitos empregados estão na labuta.

Os deputados que aprovaram as medidas tiraram dez dias de folga, sob o argumento de que se o dia da res pública, cai numa quarta-feira, não compensa ir a Brasília trabalhar na terça e na quinta-feira – segunda e sexta não contam, nunca contaram. O Judiciário achou bonito e acompanhou.

Curiosamente, uma das medidas da reforma trata justamente disso. De agora em diante, patrões e empregados podem, em acordo, jogar um feriado de quarta para sexta-feira. Mas seria injusto cobrar isonomia ou, no mínimo, boa memória dos nossos parlamentares e magistrados.

Na teoria a reforma é uma gracinha. Na prática, além do já exposto, a vox populi não bota fé. Inclusive entre os patrões e seus advogados, ninguém crê na vox Dei. Melhor dizendo, receiam contratar sob as novas regras e daqui a um ano verem eleitos mandatários que revoguem tudo o que foi aprovado por este Congresso que cobrou 32 bilhões de reais do erário para manter o Presidento denunciado no Planalto. Fora o risco do Judiciário.

Outro ponto curioso da reforma é o item Velhinha de Taubaté, que acredita em negociações equilibradas entre patrões e empregados num país de analfabetos funcionais com quatorze milhões de desempregados declarados.

Para entender como funciona, reparem no fundo cívico Renova Brasil, turma de gestores que fez vaquinha “com o propósito de acelerar novas lideranças políticas e viabilizar o acesso do cidadão comum ao Congresso Nacional”. Pretendem eleger previamente 150 candidatos a candidato a deputado federal e botar R$ 200 mil na campanha de cada um.

A eleição prévia será um processo seletivo arbitrado por gente indicada pelo Renova Brasil. Entusiastas e colaboradores sugeriram que eu participasse. Considerei a ideia, mas não sem antes perguntar sobre o processo de seleção dos altruístas que puseram dinheiro no fundo. Questão elementar: quero saber se os doadores têm os mesmos compromissos éticos dos candidatos. Questão de equilíbrio. Ainda não responderam. Quando e se o fizerem, incluo aqui (resposta e réplica no fim do texto.

Por ora, sabe-se que o Abílio Diniz é um dos mecenas. Logo ele, com problemas sérios de conduta empresarial e graves questões em aberto na Justiça. Também sei que o Eduardo Mufarej, porta-voz do grupo, foi parceiro do Abílio na BRF, e que juntos nomearam para diretoria de boas práticas o JR, que veio a ser preso por fraude. Como alguém que quer participar da renovação política topa ser avaliado por eles?

Quero estar enganado, mas tudo isso parece mais uma etapa do aquecimento para ocupar o espaço político abandonado pelos tradicionais financiadores de campanhas, suspensos pela Lava Jato.

Sem querer afobar a seletíssima audiência desta página, recomendo que para entender a igualdade social no Brasil aguardem a segunda-feira 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra. Reservem um momento para verificar como a data é celebrada. Nas piscinas, iates-clubes e campos de gólf, as senhoras e os senhores poderão ver os brancos celebrando. E os negros trabalhando.

ATUALIZAÇÃO 20h00 – Renova Brasil, pelo facebook, respondeu o seguinte:

Oi Léo Coutinho, tudo bem? Assim como qualquer outra iniciativa que é baseada em doações, nós não temos controle da posição dos doadores. Acreditamos que se essas pessoas estão apostando no potencial desta iniciativa e dos bolsistas é porque concordam com nossos pilares. O que podemos garantir é que os doadores não terão qualquer influência sobre os bolsistas ou sobre o processo de formação. Qualquer outra dúvida, estamos à disposição. Abraços!

Minha réplica: Renova BR grato pela resposta. É importante separar doações altruístas de compra direta de apoio. Seria bacana vocês deixaram isso mais claro entre os princípios anunciados. Muita gente vem confundindo doação eleitoral com corrupção e condenando políticos com bons serviços prestados. Abraços

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments