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Ruas crocantes e outras notas

Minha ideia é fazer uma alameda só com as árvores que soltam favas crocantes nessa época do ano. Modéstia à parte, não conheço ninguém melhor do que eu na arte de estalar favas secas nas calçadas. Cada passo é um croc.

Minha Neguinha até tenta me acompanhar, e eu incentivo mostrando como se faz. Em vão. Sempre estalo mais que ela. Creio que seja um dom que Deus me deu. Nasci assim, com talento para crocâncias. E é uma atração mútua. As favas estão para mim como a bola para o Garrincha. Flano pela cidade como se estivesse comendo pipoca no sofá. Ou como estalo todas as juntas, na cama, ao despertar.

Quem quiser experimentar esta delícia, basta sair para um passeio. Tem muitas por aí. Mas não o bastante. Daí meu projeto para a alameda. Que irá de encontro a um coreto.

Como velhos amigos, temos intimidade, mas não sei o nome científico da árvore. Tampouco sei o vulgar. E aposto que a recíproca é igual. Ela também não sabe os meus e isso tem peso zero na relação.

O trecho mais divertido talvez seja a saída do Ibirapuera. Atravessando o monumento às Bandeiras, cruze por dentro da praça no sentido da Brigadeiro. Se eu estiver por perto, prometo pódio na escala Richter de sensações.

Nutella e raiz

Uma companhia de trens japonesa virou notícia ao se desculpar por um atraso de vinte segundos.

O equivalente culinário aconteceu na Alemanha. Consumidores de Hamburgo protestaram contra uma mudança na receita da Nutella. Comparando rótulos de antes e depois de agosto de 2017, verificaram que a quantidade de leite em pó na composição subiu de 7,5% para 8,7%.

A Ferrero, fabricante do creme de avelã mais famoso do mundo, admitiu a alteração: “Houve uma troca no soro de leite para o leite desnatado em pó de 2,1 gramas a cada 100 gramas. Com isso, passa de 6,6% para 8,7% a quantia de leite em pó desnatado na receita.”

Você, brasileiro, que em instantes deixará a labuta para tentar chegar em casa antes do sábado por meio do nosso transporte público, sequer pode invejar japoneses ou alemães. Ante distância tão absurda, o máximo que a gente alcança é achar que eles são uns chatos com mania de perfeição.

Caso você desista de encarar o rush e encoste para uma cervejinha nesta sexta-feira abafada, deixe um gole para o santo e peça pela grande companhia brasileira chamada Ambev, que mudou completamente as receitas originais das nossas marcas mais queridas. Quem sabe um dia o Jorge Paulo compra a Ferrero e mete amendoim na Nutella. Finalmente o mundo vai conhecer a vida como ela é.

Dorme, Carminha 

Outra coisa que podemos desejar é a ministra Camem Lúcia sonhando com o Picciani puxando seu pé. Ela merece. Hoje o chefe da quadrilha da Alerj foi absolvido pelos pares, prerrogativa que ganharam depois daquela lambança que começou no Senado, foi ao Supremo e voltou ao Salão Azul para salvar Aécio, Renan, Jucá, Barbalho. Estão de parabéns.

 
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