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Segunda profecia dominical: Vai passar

Como uma velha carola, vivo com sob o frisson da chegada dos domingos. Mas a minha missa é na Folha ou nO Globo. E o sermão é do papa Elio Gaspari.

Hoje ele lembrou que no Rio, favelas fora, seis em cada dez imóveis não pagavam IPTU. Note: só o asfalto está nesta conta, que durou até anteontem.

Há alguns anos escrevi para a revista Amarello uma crônica chamada Dois Cunha. Está aqui.

O Rio de Janeiro é o paraíso liberal. Aquela estátua do Drummond, famosa pelos óculos repetidamente furtados, se repete com outras personalidades por toda a cidade turística. Mas está faltando uma homenageando o Ludwig von Mises, coroando o resultado do Estado mínimo e bruta diminuição de impostos.

Outra atração interessante e interativa seria uma instalação para os turistas poderem brincar de empurrar um carro com o freio de mão solto estacionado sobre a calçada e em frente ao portão alheio. Quintessência do espírito carioca e suprassumo do liberalismo.

Da corte da Guanabara para a da Rainha Elizabeth, papa Gaspari banca o profeta. Crava que, dada a evolução – destacada pelo noivado do príncipe Harry com uma plebeia americana e divorciada, filha de uma negra que usa dreadlocks –, até o final do século a realeza verá um casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Me associo à previsão. Afinal, é o papel histórico da elite, da aristocracia, da realeza promover a evolução cultural. E eles trabalham firme para isso. A Igreja da Inglaterra, chamada Anglicana ou Episcopal do lado de cá do Atlântico, segue empedernida os ensinamentos cristãos de amar o próximo sem distinção.

Lá os padres podem ser homens ou mulheres. E podem se casar. Com homens ou mulheres. Não é o sexo ou o casamento que define alguém com vocação pastoral.

O Jorge Pontual, no Globo News em Pauta da semana que passou, contou que as escolas da igreja inglesa, disputadíssimas pela elite ilhoa, determinou que a liberdade de imaginação das crianças é sagrada e não deve sofrer interferência.

Daí que uma menina que queira jogar futebol, está liberada. Um menino que queira fazer papel de fada na apresentação de final de ano, também.

Por aqui, lembro da minha infância. Assistia ao show de calouros do Silvio Santos com os jurados Elke Maravilha, Araci de Almeida, Pedro de Lara, Sérgio Mallandro, Roberta Close e Rogéria. Conviviam na banca com o Wagner Montes, que hoje é deputado estadual fluminense pelo PRB.

Com agenda aparentemente reacionária, apresentando programa de TV policialesco e assinando uma coluna de jornal intitulada “Escraaaacha”, o deputado Montes aprovou lei de licença maternidade e paternidade a servidores que adotarem filhos, reconheceu o funk como movimento cultural, declarou o corpo artístico permanente do Theatro Municipal patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

Uma frase atribuída ao Einstein diz que “A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao tamanho original”.

Segunda profecia dominical: essa fase vai passar.

 
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