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Negroni, Netflix. dois Tarantino e o Brasil

Dos gêneros que pareciam ter caído na monotonia, faroeste e nazismo talvez se destaquem. Vá lá, nazismo é um tema, não um gênero. Mas tanto quanto o faroeste, foi praticamente esgotado, do drama à comédia, passando pelos documentários.

Igual diria o professor Caldana sobre as cadeiras, caberia uma moratória entre os criadores. O George Gondor fala a mesma coisa sobre as bebidas etílicas.

+ A improvável reinvenção do guarda-chuva

Com trocadilho, contudo, o espírito humano sempre pode surpreender. Recém-lançaram Dry Martini e Negroni já misturados no litro. Ideia original, produção e distribuição do querido Caio Tarantino.

Coincidência ou não, quem conseguiu encher com bossa fitas novas sobre nazismo e faroeste foi outro Tarantino, Quentin. Bastardos Inglórios e Jango, geniais.

Daí vem o Netflix com as séries padrão Globo em streaming. E mete um faroeste excelente. Godless. Fotografia de reclame de Marlboro – melhorada. Diálogos de House of Cards. E a história é contada num vai-vem a la Tarantino. Quer dizer, Quentin pode desgostar da novidade, mas a recíproca não é a mesma.

Em sete capítulos que, saravá!, estão todos disponíveis, a série é bem mais rica do que o posto acima. Eu poderia falar do jornalista, papel inspirado do roteirista, ou presença sacudida das meninas. Mas acho melhor deixar esta freguesia descobrir. #spoilerfree

No final, cansado de guerra, você desliga a TV esperta, ajusta o umidificador e o ar-condicionado e, de dentro da bolha, se deita pensando como pode o mundo ter sido tão violento.

Então se lembra que no período de um episódio da série, sete pessoas foram assassinadas na vida real brasileira, e pelo menos outra meia-dúzia foi estuprada. Lembra que a última guerra dos presídios, que começou com cabeças, tripas e corações rolando sob os vapores do réveillon, vai completar um ano, e pouca coisa além de umas transferências paliativas foram feitas para resolver. Mutirões de revisão de penas já cumpridas sofrem forte resistência. Legislação que despenaliza crimes não violentos idem. E as máfias se fortalecem.

Definitivamente, a realidade no Brasil é de deprimir os melhores roteiristas do mundo. De House of Cards a Godless.

 
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