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Erasmo não morreu

Era 11 de Agosto, dia da pendura. Uma churrascaria bacana do Paraíso foi a escolhida por alguns estudantes de Direito. Na hora da conta fizeram a trova tradicional e, com efeito, o metre trancou a porta: “Ninguém sai.”

Um dos estudantes, mais jeitoso, foi ter com o dono da chave: “Meu caro, entre nós está a filha de um coronel. Vai por mim, deixa estar.” Em vão. “Foi uísque, champanhe, camarão… Isso não é pendura, é abuso”, respondeu o metre.

A polícia entrou e levou todo mundo. Já na delegacia, bastaram cinco minutos para a chegada de outra guarnição, ora liderada pelo pai de uma das estudantes. Sim, o coronel. Que esculhambou o delegado, perguntando se ele também não metera suas penduras na época de estudante. De pronto, o metre pediu desculpas. Delegado idem. Mais tranquilo, o coronel olhou o relógio e sugeriu que resolvessem o impasse brindando todos juntos na própria churrascaria. Recebeu vivas e foi atendido.

Aos estudantes, metre, delegado e coronel se juntou o dono da churrascaria. Consta que a conta dobrou, mas ninguém pode afirmar porque jamais foi apresentada. Ficou como doação, “sem nenhuma contrapartida”.

O coronel chamava-se Erasmo Dias e era praticamente uma celebridade no final daqueles anos 1970. Cravo um palpite: estivesse vivo, Erasmo Dias teria acima de 20% nas intenções de voto para a Presidência da República em 2018, impulsionado pelos erasminions.

Pano rápido.

No final de semana que passou o repórter Fausto Macedo acompanhou blitzes nos pancadões das Prefeituras Regionais de Cidade Tiradentes e de Pinheiros.

+ Em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, a idade média (sem trocadilho) ao morrer mal ultrapassa cinquenta anos. Em Pinheiros chega a oitenta anos.

A primeira contou com gás de pimenta, cassetete, vassourada, traulitada. Na segunda, uma menina subiu no carro da Prefeitura e rebolou na cara das autoridades. O prefeito regional reagiu com argumento mais corriqueiro: quem discorda dele é amiguinho do Haddad. E outra respondeu: “Sou amiga do Haddad. E do Doria, que adora vir aqui. O filho dele estava aqui ontem”.

Perguntado sobre uma ação mais “enérgica”, como em Cidade Tiradentes, o sargento PM João Gabriel respondeu: “Não é o caso aqui.”

+ QUEM TEM BOCA VAIA A ROTA

 
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