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Um brinde à Estácio ou a escolinha do professor Lemann

“Nasci no Estácio, eu fui diplomado na roda de bamba, e fui diplomado na escola de samba, sou independente conforme se vê.”

Lembrar o Noel não tem relação com o Natal, mas com o presente que a universidade Estácio de Sá botou na meia de 1.200 professores: o olho da rua.

Fundada como Faculdade de Direito em 1970 pelo ex-repórter policial, artista múltiplo e juiz aposentado João Uchoa Cavalcanti Netto, num sobradinho da Zona Norte do Rio de Janeiro, hoje está em todos os estados, tem unidades no exterior, 600 mil alunos e mais de dez mil empregados, entre professores e pessoal administrativo.

Em 2007 abriu o capital. Em 2008 o GP Investimentos entrou na sociedade. Sim, GP é o fundo do Jorge Paulo Lemann, que na Pessoa Jurídica é conhecido por Ambev, e que no terceiro setor mantém uma fundação preocupadíssima com a qualidade do ensino.

Cerveja e cidadania

No ano passado houve uma transição no GP. Parte fundamental da escolinha do professor Lemann é remunerar com bônus quem se destaca. O trio fundador, aqueles do “Sonho Grande”, detinha algo em torno de 30% das ações e diminuiu ainda mais sua participação. O DNA, porém, permanece imaculado, como prova o pesadelo natalino de 1.200 professores.

Na opinião do Chaim Zaher, que até agosto último era o maior acionista da Estácio, o movimento é anormal, maculou a reforma trabalhista e pode prejudicar a reforma da Previdência, que ele julga benéficas para o Brasil. Em entrevista à Folha de São Paulo ele disse o seguinte: “Não tem 1.200 parados. Não pode contratar os mesmos. Na minha opinião, essa demissão é uma busca por resultado [financeiro]. Se eu estivesse no conselho da Estácio, nunca admitiria isso. É um dos motivos que me fizeram sair.”

Reforma e Renova Brasil (emoji risadinha)

A juíza Talita Foresti, da 21o vara do Trabalho do Rio de Janeiro, suspendeu por trinta dias as 1.200 demissões já confirmadas e também as próximas que possam vir, sob multa de R$ 400/dia por trabalhador. Pretende que neste prazo o Ministério Público do Trabalho verifique se houve ou não discriminação na decisão. A suspeita do MP é que a nova legislação trabalhista tenha servido de estímulo para a substituição de professores mais velhos e com maiores salários por professores mais novos dispostos a ganhar menos.

Um amigo que é freguês de pancadões em ruas universitárias, cujos botecos e camelôs são campeões nacionais na venda de cerveja de segunda categoria, aposta que tudo não passa de uma brincadeira de amigo oculto. Isto é, os discípulos do Jorge Paulo disputando quem terá o peru mais gordo: quem bota mais milho na cerveja ou menos professores nas salas de aula.

Parabéns a todos os envolvidos. Desejo que em 2018 vocês possam brindar à formatura dos seus filhos bebendo cerveja de verdade num gramado em Boston.

ERRATA: A GP saiu da Estácio em setembro de 2013. Seu DNA, porém, está lá: “implementou uma cultura orientada para resultados e processos de centralização eficientes.”

 
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